Friday, October 23, 2009

Ainda não era manhã...

Ainda não era manhã, e ele já limpava a madrugada dos sapatos.
A noite tinha sido inquieta, devoradora.
O dia é mau concelheiro quanto aos pecados da noite.
Grita agitado, sem dó, com Luz!
Grita agitado, com pó, em cruz!
Ainda não era manhã, e já vinha impresso nos jornais:
Homem de negro encontrado morto no Rio!
No que restava da noite ele apenas se deitou sobre a cama
Depois de ter queimado a roupa que trazia.
Nu ficou, ansiando o feroz futuro, esperando a luz pálida esgueirar-se por entre as frinchas,
Da sua casa, do seu Corpo.

1 comment:

Sonia Carvalho said...

:D !! Dá gosto ler um bom texto ... um bom toque de poesia.

Continua ...

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