Sunday, July 19, 2009

6:00 am

6 da manhã, o mundo desperta em ebulição

As palavras correm os aquedutos dobrados

As esquinas saem-nos ao caminho

Os astros cintilam banhados pelas cores dos copos

Que espalhados em estilhaços atiçam as chamas de um novo dia

Tuesday, July 14, 2009

there's a path

there's a path
under the black lands of ground
under the deep seas of blood

If you find it, you lose
If you don't, you're lost

Saturday, July 04, 2009

é só não dizer não

Por mais que eu te tenha dito que não é bonito andar por aí sim, por mais que te avisasse que não fica bem ir tão mais além sem saber porquê, nem também por quem. Por mais que tenha dado e não emprestado, por mais que te tenha escrito dado um veredicto. Por mais que tenha guardado, deixado recado. Por mais que tenha gritado e a fera amansado. Por tanto que foi tão de mais, que depois de tanto, porquê e portanto...

Mordeste o isco, ao menor chuvisco, foi só agarrar! E no fim... Valerá a pena a fera amansar?

Porque não é sorte, é bem mais que morte, e é nem gostar. É sair, e pensar não vir, e nunca amarar. É voar e por estar tão alto estar ao pé do chão. É cair, e sempre a subir nunca dizer não.

Sabe a voz que me é atroz, já não estamos sós, somos só normais. Diz adeus ao velho zangado perdem-se as vogais restam os sinais. Pede o prato e o guardanapo, diz adeus ao sol abre este portão. E a estrela que cai tão cadente encontra no futuro um bem tão bem diferente. E a alma que espelha a verdade terna lealdade, farta precariedade. De um mundo redondo, infinitamente estranho. Resoluto e frio decidiu criar, foi só pôr mão, prà gente se dar. Nesta estrada, neste bairro, neste arrabalde distante e profano, neste burgo tão louco e insano. Pensam cansados estes mais que avisados, tristes por pensar, sem dúvida.

Não vale a pena ficar a olhar para o chão, a passagem é programada, terá sempre solução. Está em ti, está em mim, está na Palma da Mão. Está aqui, está ali, é só não dizer não.



Aos meus amigos:
Tiago, Rui Luís, Andreia, Mariana, Inês, Rita, Gustavo, Tiago B, António e Rosa
A outros que estão cá tanto: JP, JP...
À restante família, e a toda a malta que partilha comigo o carro. Ao Astra... ao piano, ao Steinway, à Takamine...


Obrigado

Saturday, June 27, 2009

MJ


Criança ao peito
Na cara um sorriso carnavalesco
No passo um ritmo marcado
No corpo um sensor sonoro
Na voz a delicadeza frágil
De um homem corrompido
Por uma sociedade que renega
Por uma cultura;
A mesma que o alimenta, e que o devora

Fica a passagem, o passo flutuante
O Peter Pop, o Peter Pan
See you in "NeverLand"

Sunday, June 21, 2009

Há Momentos



Há momentos sem descrição, momentos que com o passar do tempo, lembramos sós, na rotina das nossas vidas, com um sorriso reflectido numa cena qualquer.
Tenho muito orgulho por ter pertencido a este momento. Sinto-me privilegiado.
Aqui partilho... Obrigado.

Saturday, June 20, 2009

Só fachada...?

Quando as mesas se juntam
E os corpos recuam
Quando a noite é vendida
Aos tumultos na rua

Quando a voz se agarra
Às palavras dissolutas
Quando não valem nada
Os ideais das lutas

O teu regaço não acolhe de novo este homem, feito cria
E o teu abraço não conforta este puto, feito nada
A pergunta derradeira... E então? Esse amor? Só Fachada?...

Thursday, June 18, 2009

Amor Placebo no Limiar da Vida

Dá o primeiro passo
Evita o estilhaço
Desmonta o embaraço
E quando chegares à estrada sem fim
Impõe o teu jogo passo a passo
Ergue o braço, apaga o traço
Não tornes, segue sem mim
Desfila o teu amor placebo
Nas asas de condor ao alar
Rasga a mascara que é sublime
E fura o lençol do luar
Descreve um arco e depois afoga-te
Na imensidão da calma
Submerge o corpo, emerge a alma
Faz-te sentir na escuridão que te consome
E depois renasce,emana luz
Faz-me crer, por fim, que o impossivel seduz
E volta a adormecer.


André e Mariana

Sunday, June 14, 2009

Um tornado e eu deitado

Temos visto as paredes envelhecer,
Deitados nesta cama feita de suor e seda
O tecto a cair
Pendurados neste repasto

A sorte a fugir
E a sina dos dias a amanhecer
O liquido a fluir
E esta vela que faz de mastro

Este fundo preso a lastro
As noites vadias em que descortinámos os astros
Os sonhos que se difundem nas preces
E tudo mais que se possa defumar sobre os teus cabelos

Adeus rotina pois então
Olá bom ocio porque não
Agruras não mais...

E quando nos doces pés te firmares
E as luzes, meios pirilampos agarrares
É tempo de acordar

(ao som do Deixa-me Rir)

Friday, June 12, 2009

Brisas da Cidade

Já as fumaças se agitam
E as cores se exaltam
Os pescoços gritam
E os aflitos saltam

A molhada corre
E a vida flui
Há gente que morre
E desses nunca fui

As praças abertas e as campânulas berrantes
Os perfumes saloios as cores deslumbrantes
A calçada torta, e tortos os olhares
A verdade incerta repousa nos bares

Nas portas, paredes, e janelas de quadrados
Nos varões ferrugentos e nos velhos desgastados
Nas tradições gritadas a pulmão de puro alento
Nos becos caídos rasgados pelo vento

E a brisa inconfundível de um passado perseverante
É pois velha em cidade que se engalana de costumes
Que levados aos narizes tortos de um povo contente (aparentemente)
Pois é claro... Que cheira bem... Cheira a Lisboa.

Sunday, June 07, 2009

Vá lá!

Vá lá, desacelera
Vamos! Põe o pé no travão
Eu sei que sim, não digas que não
Tu sabes que não, não digas que sim

Vá lá, põe lá isso de lado
Fica com o prazer das teclas
Com o gozo das cordas
Com o cheiro da praia nas manhãs de nevoeiro

Vá lá, arruma essa tralha
Dobra o cabo, vira a página
Ergue a espada
Trespassa o fim

Vá lá, sente o riso
O calor das Palmas
O sabor da vida a fluir

Não digas que é hoje
Nem que amanhã é menos

Vá Merda!
Eu sei que és capaz
Não te quero ver por aí
A querer o teu fulgor de volta, qual dinheiro

Nesta estrada meio deserta
Vamos fazer durar as tréguas até ao fim
Pelo menos... enquanto houver estrada p'ra andar

E o horizonte é tão longe

Tuesday, June 02, 2009

Quem és tu?

Estou extremamente inquieto! No peito trago um sobressalto que não sei descrever ,e na cabeça uma confusão louca, uma desorganização confusa que não sei como expor. Um carrossel, aquela sensação de looping loopado que só eu sei apelidar. No corpo uma ânsia desmedida quase frenética, as mãos esfregam a cara e a saliva dos lábios, os braços encostam-se um no outro ,e o pé bate-bate sem parar no soalho que repete sonoramente o batuque activando todos os meus sentidos que já então sobressaltados mais alerta ficam.
É sempre esta falta e este vazio... É sempre este vacilar de postura que teima em chegar numa fraqueza flácida que corrompe os meandros da minha voz.
Tocam à campainha! Os meus olhos percorrem todo o percurso imaginário que o impulso eléctrico descreve ao longo do fio, que à velocidade da luz se transforma em som. Corro à porta, suado nas mãos e nos cabelos. Afoito espreito, e não me surpreendo, embora me tenha sentido assustado como se o meu próprio medo contivesse a força de um vulcão prestes a explodir num pânico imenso. Aberta a porta, ela entra, toma o seu lugar junto ao piano, e toca, talvez a mais bela melodia que eu alguma vez me lembro de ter ouvido. Estava frio, cada vez mais frio. As folhas da velha trepadeira estavam agora mais escuras, e a textura da parede assemelhava-se cada vez mais à do gelo. Soltei aquilo que pareceu ser um som qualquer na esperança de vislumbrar o bafo, que então se soltava sob a forma de fumo... estava certo, estava frio. Conjuguei na minha cabeça uma questão que se formulou a custo - Quem és tu? - O Piano parou. Os seus olhos cercaram os meus num só impulso, lento, e preciso... Eram da cor do gelo! Eram, da cor, do, gelo! . . .

Saturday, May 30, 2009

sei lá que título

A Gramática dos dedos escapa-me das mãos
Os sonhos esvaem-se em possas liquidas no solo
Os passos levam-me a uma praça distante
O odor sabe aos sons diurnos e a noite apazigua o cheiro da fruta

É verdade que da janela do comboio espreitam as vinhas do Douro
Naquela viagem tão antiga que combina o chapéu de palha com a suja fuligem dos tempos antigos
A tradição com a mala dos viajantes, os odores do cabedal com os do ferro forjado

Ao longo do rio estanque na barragem, ao redor da margem com o futuro nos braços
Deita-lo à agua é prende-lo, guardá-lo no peito roubá-lo.
Mergulho

Friday, May 22, 2009

Eremita cansado

O eremita cansado pensa sobre os meandros da realidade. Bebe do seu sumo que se atravessa através de dimensões no fumo do seu cigarro. Desvenda as passagens matemáticas de uma religião enigmática em suas mãos. Percorre o seu corpo em busca de mais um sinal. Ele mata com a segurança de uma rocha, ele vive com a fragilidade das asas de uma borboleta nocturna. O eremita cansado fuma à beira rio, vagueia de símbolo em símbolo, detém as chaves das ordens, e as palavras certas. Dotado da escassez dos afectos, encontra nas linhas das palmas das suas mãos, os caminhos perfeitos que julga ele, o guiarão ao nirvana.

Monday, May 18, 2009

Adormeci no metro

Hoje adormeci no metro e quando acordei a carruagem onde eu seguia estava às escuras com as portas todas abertas. Lá fora ouvia sons de rebuliço ao longe. Levantei-me agarrei na minha mala, passei a mão pelo cabelo, e trespassei a porta com os meus olhos semi-cerrados. Uma mulher de tez muito morena, cabelo avelã comprido até ao fundo das costas de reflexos dourados e textura aveludada, vestes laranjas, rosto tapado do nariz para baixo, deu-me a mão. Saímos dali a correr, entrámos no meio de uma multidão colorida. O chão era de azulejo laranja, os cheiros eram os de um mercado. Corremos o mais que pudemos até um deserto que terminava num penhasco...No fim, à beira do abismo, ela desvendou o rosto, sorriu, encostou os lábios na minha face e disse: próxima Estação Entrecampos, há correspondencia com a linha azul...

Saturday, May 16, 2009

Vivo em Nós

Vive nas pedras soltas
Nas poças de água
Nas lágrimas azuis
Nas sílabas soletradas
Na poeira que vem com o vento
Nas paredes caiadas
No movimento dos barcos sobre as águas
No vai-vem da sorte dos amantes
Nos sonhos dos seus ouvintes
Nas mãos dos seus interpretes
Nos beijos dos seus destinos
Nos sorrisos mais alheios
Nos gracejos das cigarras
Na preguiça das formigas
E na graça do mundo
Vive no copo, no cálice e na taça
No sangue no calor e na melancolia
Vive sem que se imponha
E não me parece que de alguma forma se oponha
Pois é, Pois é... Há quem viva em nós.

Thursday, April 30, 2009

Palavras....

Palavras bonitas
Doces e catitas
Palavras esmeradas
Que encantam armadas
Palavras distantes
De tão importantes
Palavras afoitas
De tão relutantes

Palavras que bastam
Que marcam instantes
Palavras que são só por si
Bons amantes
Palavras que têm um cravo na mão
Palavras que espalham a minha afeição

São pois as cuidadas
Que trazem pudor
E as mais brejeiras
Que espalham o horror
Quando de par em par
A malícia é certa
É bom que não fique
A porta aberta

São feitas em nós
Com fogo e emoção
As que voam pra lá do gesto de uma mão
Palavras bonitas
Tão fortes
Catitas
Palavras que vêm
Do meu Coração

Wednesday, April 29, 2009

O Lado Errado do tempo dos assassinos

Ele estava só, á espera do fim
Quando foi picado por uma abelha, numa esquina qualquer
Reviu para lá do espelho estranhas tradições
Que atrás de contradições davam estranhos passos em volta

Como numa balada estranha,
Em que uma estrela num trapézio feito de mar
Acorda uma miúda linda de 100 mil estrelas no olhar
Como um doce amor que por se sentir existe

Tão quente, a 50 e tal graus
Fervendo o mundo de quem tem pouco a perder
Que visto de cima no dorso da gaivota que voa frágil
Quase parece conter um demónio interior

Se os montes que restam, vistos do céu, neste voo tão nocturno
Sugerem fazer Yoga em pijama
Se as pontes ainda hirtas,
Lembram que anda sempre alguém por lá
Se as cartas de amor antigas
Deixam voar este sonho
É porque nesta espécie de vampiro malvado
Ainda resta algum fulgor na palma da mão

E se há muito tempo ele sabia haver sempre alguém
Hoje senta-se junto à ponte com a certeza farta
De que finalmente só, encontrou a velhice
Porém com a esperança de que enquanto houver alguém que ajude
Alguém para abrir o sinal
Agente vai continuar

'té já

Antes Lúdico que guloso

Titulo?!! Rápido alguma sugestão?
Antes Lúdico que guloso

Calmaria, cerrada, aperta o peito
Num mote de plágio ao ser mais perfeito
Uma alma penada sobre o parapeito
Canta a noite num presságio de morte
Fundo, cavando em seu leito tua sentença

Cresce a madrugada no último dia do ano
Busco a deixa primordial para o verso sub-humano
Lá fora a chuva cai mas eu preferia aguardente
Para reavivar o meu cérebro demente

É forte a tormenta das sinapses queimadas
Entre gestos débeis e gastos
Sucedo-me ao mago que sabe cantar
E que apregoa estar sempre a jantar

Falta-me inspiração para escrever poesia
A imaginação foge-me como uma enguia
Também não tenho voz para poder cantar
A hora é tardia não consigo pensar

Com mil milhões de macacos, nobres casacos
Rotos aqui e ali remendados
Portadores de tristes fados
Pertencentes a cavaleiros guerreiros solteiros, a eternos enamorados

Esmifro os carcomidos caroços
Do que ainda me resta para contar
Palavras calmamente apressadas
Já que o sono do mago teima em chegar

A noite cai em Rio Maior
A vida para o ano há-de ser melhor
Se a tosse comigo não acabar
Cá estarei nas tasquinhas para me embebedar

Possam estas palavras populares
Ser o fruto bruto do meu natural pensamento
Possa o amor que aqui detenho
Caber nesta conversa, nesta mão vincada a ferros de tão pouco tamanho

Tenho em mim o jovem expedito
Que põe fim ao maldito degredo
Das mais líricas conversas de tasca
Às externas políticas de medo



Gustavo Andrade, Luís Gravito e André Sebastião
Três genialidades remetidas ao teclar exasperante...

Thursday, April 23, 2009

Eu Sou

Há horas do dia em que a agilidade se confunde com a queda
O voo com o rastejo
O tremor dos passos com o chilrar dos pássaros
O vazio de um copo com o pranto da saudade

No fluir das diluências sumarentas da vida
Navego sem barco, sem vela ou navio
Içando o meu corpo ao sabor do vento da perseverança

Nesta cidade, neste planeta, neste espaço
Posso dizer: Eu sou

Monday, April 20, 2009

Como um jogo 1,2,3 - 1,2,3

Vive um pássaro no Chile
Que mascarado de canário de aviário
Voa feito corvo nos meus pensamentos

Esvoaça a sua sombra negra
Sob a estátua erguida em pedra
Que num ímpeto escondido avança
Petrificando-se de seguida sob o nosso olhar

Como um jogo 1,2,3 - 1,2,3
Lança o dado outra vez
Casa á frente casa atrás
Como um jogo 1,2,3 - 1,2,3
São as contas que Deus fez

E por detrás das paragens continuas
Descem os vultos curvados de negro a avenida
Casa á frente casa atrás

Vive um pássaro no Chile
Que mascarado de canário de aviário
Voa feito corvo nos meus pensamentos

Saturday, April 18, 2009

A Bandeja

O poeta
põe a alma, o fígado e uma paisagem
numa bandeja
Umas vezes tempera com um sorriso
outras com uma lágrima
e ás vezes com limão (que dá para tudo)
Dá-se a servir dizendo:
Isto sou eu!

Há quem se repaste
e quem apenas molhe o pão…

Assim se nasce para se matar
Assim se morre para se parir

É este sangrar constante
Dar-se a ser o que não é
Que o faz escrever, ser errante
Correr sem saber de quê

Poeta, eu?!
Nem morto!!!

Obrigado a João Monge por me ter dado de "bandeja" a liberdade de publicar este seu poema de que eu tanto gostei.
Clicar aqui para o blogue pessoal do autor.

Thursday, April 16, 2009

Tempo

O tempo corre tão depressa
Que às vezes pergunto-me se vale a pena apanhá-lo

Por entre o ócio tão inato e a angustia da passagem dos segundos
Perco o meu tempo em corridas estáticas em redor de mim mesmo
E nas noites defumadas giro no copo vaporizado que me intriga

Sei lá se corro ao favor, ou se me afasto na outra direcção
Nem se sei da escassez do tempo que se urge

A morosidade ostenta por vezes uma velocidade que se prevê inalcançável
E os sulcos despidos do rumo a traçar revelam lombas num looping que se cumpre descalço

É assim a roda gigante em que as almas se movem e os corpos se arrastam

Monday, April 13, 2009

Pode a vida ser cumprida
Nos altos véus de Lisboa
E a esquina ter sua vida só por ser tão branca e curva

Pode o calor destes corpos
Ser demais prós vendavais
Pode a alma que o beija
Ser da fina cereja, um barco no meu cais

E a sua nobre noite apregoa a canção
Dediquemos-lhe tempo vontade e emoção
E se o céu desperto oculta a liberdade
Soltam-se as amarras ao cais da saudade

Oh meu amor, fruto da minha voz
Oh meu punhado por dentro somos nós
E se as calçadas pois são por Deus erguidas
Se as vontades por doerem são feridas

Pode a sorte marcar nesta alma errante
Um rumo mais distante
E o rumo ser fervor

Sunday, April 12, 2009

Deitados no Éden

Está um sol tão puro atrás de ti
Que até me lembra os dias quentes em que de gatas nos perseguíamos por entre a relva e as borboletas

Está uma luz tão intensa na tua cara
Que até encanta as cores tão fortes das papoilas

Está um mar tão sereno nos teus olhos
Que chega até a amainar as minhas ondas litorais

Está uma dor tão grande no teu peito
Que até aflige as asas das andorinhas

Está a tua luz em corpo deitada
Por entre o campo verde coberto de pintas amarelas
Mal-me-quer Bem-me-Quer

Estamos nós os dois no Éden
A ver os astros se rodarem na sua formação

Estamos os dois deitados
A minha na tua, e a tua na minha... mão.

Wednesday, April 08, 2009

Fado

Sou o mercenário dos sentidos
O senhor das vontades
O déspota dos desejos

Cabe em mim um dom imperativo
Um cabimento sem cabimento que é desmedido
Uma vontade quiçá veleidade impelida
Utopicamente visionada para a vida

Um caminho discreto
De contorno incerto
Uma ordem que é ordem
Que exalta as liberdades

Feras indispostas rugem inconscientes
Sinos efusivos tocam badalando-se imponentes
O panico é visível nos olhares bem enxutos
As vozes são entoadas no meio de tumultos

Resta a mão sóbria sob a mira decadente da vontade humana
Fica o futuro próximo nas mãos vitoriosas desta espécie profana
E resta o amor, triste e desagasalhado

Que sem ter tecto...Ecoou as mágoas reluzentes de um passado fadado.


Ao som do Cão da Morte

Monday, April 06, 2009

Hoje agarrei num livro, e , pensando na vida como um friso de tempo segurei na minha mão uma resma de páginas que simbolicamente se numeravam de 1 a 95. Pensei que talvez vivesse até aos 95, e então, marcando a página 19, percebi que a resma que ficou para lá do passado é bem maior.

Se nas costas brancas do mundo
Cai a noite em finos filamentos cósmicos de penumbra
Para lá do monte folheado, restam ainda domínios crepusculares por desvendar
Para lá dos ombros da sorte, mumificam-se as vontades tão bem descritas e legadas
Por um destino texturizado que decalcando o virgem lacre da sorte
Se escreve por entre as portas decifradas de um futuro

E para lá dos portos seguros e sinceros
Tocam os sinos em forma de presságio
As ondas emanadas livremente vibrantes
Revogando o grito, que em negro desespero apregoa os estilhaços dilacerantes de um passo ao lado

De hábito em punho, caminho, na cera da vela pulsante
Que raspando achas de luminosidade pálida
Investiu insana na parede viscerosa

E num tumulto abafado de chuvas imperiais
Cresceu um cisco bafejado pelas tendências levianas de uma vontade impropria
Pairou e foi, até que sentado na noite
Escreveu

Sunday, April 05, 2009

CHOC

Chocolate em pó bem doce, bem seco
Para a boca salivada o juntar...untar
Na cascata suculenta ... culenta
Para em doce se tornar

Friday, April 03, 2009

Frase da Noite

"O Tiago conjuga os amigos no pretérito mais-que-perfeito!" ahah

Música da Noite

I've been a wild rover for many's the year
I've spent all me money on whiskey and beer
But now I'm returning with gold in great store
And I never will play the wild rover no more

And it's No, Nay, never,
No, nay never no more
Will I play the wild rover,
No never no more

I went in to an alehouse I used to frequent
And I told the landlady me money was spent
I asked her for credit, she answered me nay
Such a customer as you I can have any day

And it's No, Nay, never,
No, nay never no more
Will I play the wild rover,
No never no more

I took up from my pocket, ten sovereigns bright
And the landlady's eyes opened wide with delight
She says "I have whiskeys and wines of the best
And the words that you told me were only in jest"

And it's No, Nay, never,
No, nay never no more
Will I play the wild rover,
No never no more

I'll go home to my parents, confess what I've done
And I'll ask them to pardon their prodigal son
And, when they've caressed me as oft times before
I never will play the wild rover no more

And it's No, Nay, never,
No, nay never no more
Will I play the wild rover,
No never no more

Conversas de Pais - O meu " Senta-te aí "

Vamos fazer o seguinte... desacelera!
Pensa meu... Vá lá! Ouve com atenção. A vida não é só correr, tens que parar para decidir.
Como já dizia aquele cantor, o tal de Jorge Palma:

"Tu tens que estar sempre atento
Se queres sobreviver
Tens de saber travar
Não basta saberes correr"

E nem mais! Este sim, é um homem que sabe da vida. Bem... a... tem as suas coisas... mas isso também... quem não as tem!
E tu pah! Vê mas é se atinas... E se te comportas...
É isso mesmo filho! tens que saber travar, não basta correr.. ahah, este gajo é que sabe.
Hmm... Hmm....! Bem, vai lá rapaz! Vai. E tem juízo ham?! Não me arrelies, nem a mim nem à tua mãe!

Monday, March 30, 2009

I will never...

You must fight your fears
You must not fear your tears
Your soul is planted on you
You could see her if you look through

Sitting in the back of the world
Hanging around between these stone age avenues
You will find the meaning of true life
Give up of sadness, forget your madness

Live and smile, enjoy your kindness
Bring back your throne

Don't share your painfull thoughts
You must realise how wrong you are
Keep shining, keep going up
You must never forget about your modes

And, if the tears come streaming down your face
If couldn't find something to replace
Hold my arms, now and forever
Giving up of you? You may be sure, will never

Saturday, March 28, 2009

Pairam sobre nós "filamentos de gelatinoso neon"
Na calada mão soberba negra que é a noite
Vincados os olhos sobre a terra pálida
Segregam os sonhos os corações profundos

E nas entranhas despidas jazem selvagens
Mucosas tamanhas de esterco e de lixo
E se o medo é condutor de receio
Pode o sangue negro de seco ser assim sem explicação

No revolto mar tempestuoso
Afogam-se as mágoas e os corpos e os ossos que moribundos
Teimam em vir dar á costa

Noite a dentro pesca um barco iluminado
Com 7 homens a bordo e mais 10 mulheres em terra
Dispara-se um tiro, mais um alvo que se erra

E no sinuoso caminho matreiro
Espera sentado um velho amarrotado
Porcas mãos, porca cara!

Nada mais.

inspiração e expressão entre " " : Al Berto

Thursday, March 26, 2009

Sentidos

Há dias em que os meus pensamentos se dividem entre fazer abdominais ou procurar um livro para ler. Quando assim é, acabo sempre por não fazer nenhuma dessas duas coisas. E isso acontece-me quase com tudo, é uma espécie de psicose, e seja lá o que isso for. A ideia para este pequeno texto surgiu quando eu vinha a conduzir para casa, mas o pior é que não tive só uma ideia, foram mais, o que quer dizer que não foi nenhuma. A propósito disso uma vez tive 16 num trabalho de Português que não fiz... Estranho não? Isto porque o trabalho consistia em expor um assunto oralmente, apresentando seja aquilo que fosse á turma. Podia ser um livro por exemplo. Eu levei 3 folhas, 2 delas em branco... E usei o branco de umas e o vazio de outras para criar o tema " Não ter Tema"... Foi esse o Tema.
Hoje quero contar ao mundo algo mais sobre mim, mas não sei o quê, nem como... Analogias perfeitas não as há, e se as há, se é que as há, eu cá não as faço. Se é que sou inteligente, não entendo porque é que ser inteligente não me faz mais inteligente mas ao invés me faz parecer mais burro... do que... mas... tanto que eu penso...! E porquê e para quê?
Se o mundo fosse uma enorme maçã dourada, eu seria... (algo pouco óbvio, é o que a minha mente busca para encaixar aqui)... O que eu pergunto, é até que ponto é que isso é bom?..
Até que ponto é que isso me faz bem...?



Boa Noite

Friday, March 20, 2009

Passos de Merlin

Quando os passos madrugam
Pela calada da noite
Levam dois motivos
De sobra em cada pé

Vão sorrateiramente evadindo-se com cuidado
Vão pé, ante pé, escapando-se do seu destino
Levam o ar torpe e a fronte descuidada
Levam um pouco brilho e a traseira deslavada

Rasteiros, foragidos, rasteirinhos
Farejam, farejam, suplicas de prazer
Rasteiros, foragidos, matreiros
Farejam, Farejam a noite que se encena

E na mesa forte e velha
Escreve um sábio de papel e pena
As velas são sua luz
O papel a sua viagem

Na cabeça um chapéu cinzento
No corpo vestes compridas
Nas mãos a destreza infindável
Acompanhada de algumas feridas

E os passos madrugados, fogem fogem da pena
E o sábio moribundo já não sabe apanha-los
Pede ajuda a seu vassalo que prontamente se rasteja
Pede ajuda a seu Deus dizendo que por eles almeja

E sem passos ficou o Sábio
Que vindo a morrer entravado
Jurou pelos seus botões que sem seus passos
Não iria, pois a mais sitio, do que a nenhum lado

Wednesday, March 18, 2009

Sabes bem...

Prendeste-me e como
Sabe bem ter emoção
Mais uma vez ando livre
Fulgurante numa prisão
De não te ter e esperar
Que me partas o coração…
Tenho a alma estilhaçada
Embora continue a sonhar
Como seria estar contigo
Para esta esperança partilhar

Já não é a primeira vez
Que a voz anuncia este fado
Talvez seja o destino que queira
Que por mim não sejas amado

E não é tarde nem é cedo
Que o mundo nos acene impune
Braços abertos de mãos dadas
A isso não sou imune

Fulgurante maravilha
Vento da minha cidade
Traz em seus lábios um sina
Mil desejos e vontade

O sabor é tão difuso
E conciso ao mesmo tempo
O sabor é o trazido
Nas asas vagas do vento

Prendeste-me e como
Sabe bem ter emoção
Mais uma vez ando livre
Fulgurante numa prisão
De não te ter e esperar
Que me partas o coração…
Tenho a alma estilhaçada
Embora continue a sonhar
Como seria estar contigo
Para esta esperança partilhar

Sabes bem, sabes bem
Até eu voltar
"...Se eu te desse a minha vida no sentido de morrer,
Eu iria ao teu enterro mas achava que era um erro
Querer amar sem viver..."

Jorge Palma & Cristina Branco - Margarida

Monday, March 16, 2009

A simpatia perguntou ao Zé simpático o que é que ele ia fazer hoje
Ele olhou-a nos olhos e respondeu de forma seca que hoje ia ser simpático
A simpatia sorriu, e o Zé pôs a saca às costas e sumiu

Lá foi Zé simpático com seu ar empenado
Numa mão uma pedra e noutra um isqueiro
Numa boca um sorriso e noutra dentes

Zé simpático era imortal
Pescava no rio ao pé de casa...

(...) isto está a ficar uma grande cagada, vou-me deitar...
Zé simpático - ahah - Mas que merda é esta André?

... enfim.

Saturday, March 14, 2009

A facilidade da palavra astuta
Persegue os bons homens na paz e na luta
É portal de gloria e aclama vitoria
É portal de luz de tudo o que é mais

Não sendo assim o céu
Ele é assim espelhado
Seu mui nobre karma de verde empedrado
Carrega na barriga um grande nódoa de prata

Do mais fino sabão se banham as ninfas
Do mais fino sabão se deseja o corpo

E possa o homem ser a sorte e o mundo aqui o ter
E possa a vida conter o cálice de fogo
E dele a tentação beber

Um rumo certo num caminho seguro
Um futuro incerto para lá de um muro
Resta o corpo no rasgado
Resta a Alma paralela
Resta mais um, caso encerrado!
Era uma vez um cabelo (...)
E por detrás dele um rosto sincero
Era uma vez uma visão tão real
E na sua face um sorriso amigo

Conversa desprovida de interesse
O sim porque sim, o não por que não
O que é que achas disto? E daquilo?
Tão bom não é... não ter sempre razão

Dotado de intuição é seu ser
Que intui, quase sempre certo sem saber
De forma algo inconsciente e sem saber explicar
Vagueia na vida... Quem sabe se só.

Escolheu não querer ver
Vendo por um buraco
Escolheu não saber
Escolheu ser quem é

Porque neste mundo ainda há surpresas boas
Porque neste mundo ainda faz sentido a palavra amizade
Obrigado

Friday, March 13, 2009

O que é da face dessa mulher intempestiva
O que é do medo que lhe corre nas mãos
Que é dessa sorte que se esvai em suor

Se amarrada ao cais vê o barco partir
Sente que do peito o destino escorrendo
Cai derramado por entre o batelão ferrugento

Ela vagueia entre cá e lá
Não sabe se foi, nem sabe se está
Vive nos olhos negros do pedinte imundo
E vive na ruga de um velho trémulo e esquecido

É alma dos rios, dos barcos e das gaivotas
O corpo dos cheiros da foz e das tradições
Vive contemplando o sol reflectido
Nas águas que correm com forte temperamento
Rumando juntamente com a voz de novas rotas

Lamenta não ter podido criar os filhos
Lamenta ser viva numa causa vã
Procura para sempre o amor nas gentes
E chora quando ouve chamar por mamã

Ruiva a sua cara de vermelho podre
Preto seu sangue de grumos de cetim

Abriu o peito para Deus lhe dar
Uma corda branca no fundo, sem fim
Trepou, trepou, trepou pois então
E subitamente uma chama se acendeu
Dentro do seu peito...
De novo, palpitou o seu coração

Saturday, March 07, 2009

Pode a face ser a face, e dentro da face ser
Pode a noite ser o dia e sorrir só por te ver
Pode a estrada curta e estreita
De tão cumprida nunca acabar
Pode o céu que te acoberta apenas terminar no mar
E se lá dentro, da plena e dura madrugada
Morre o cinto e as horas passam naquela enseada
Se o futuro nos bafeja com seu hálito afoito
Pode um dia ser o homem mais oitenta do que oito
Pois venha a terra e fogo se unirem com o mal
Venham três sempre juntos pra se virem encontrar
Tragam sangue, tragam sorte, tragam a vida e depois a morte
Os caminhos os destinos os mapas de tesouros
E neles os segredos daqueles dos mais confinados
Que por ser tão bem guardados valham a pena violar

Posse a sorte, ser a corte , e nela ter o seu lugar
Possa o dia ser um mapa para na noite te encontrar
E se a morte em eco fala sussurrando contra a parede
Pois é hora de vingar, pois é hora de ter sede

Venha a mim o pensamento e nele o seu tormento
Venha a mim a minha espada e nela minha amada
E venha a mim o poder para pela calada te vencer
Ai quem é que o possa derrubar

E se restar na tua mão alguma poeira por soprar
Conta espera, espera conta
Eles hão de voltar.

Friday, March 06, 2009

Tejo, oh tejo

Tejo, oh tejo, em tuas águas a perdição
Tejo oh tejo em teu reflexo minha mão
Tejo oh tejo minha vida é ver-te correr no teu fluxo poente

Em tuas águas meus beijos se espelharam
Em teus finos regos meus caminhos se cruzaram
Tejo, oh velho Tejo, diluente de Paixão

Rio dos meus sonhos, leito dos meus braços
Em ti cabem dos meus quantos abraços
De tua força em mim a esperança de um outro dia

Tejo, oh fiel pensador
Seu mantra desprovido de complicações
Encorajador de amantes e das suas convicções

Leva em tuas águas meu corpo morto
Mas não hoje... hoje não
Quem sabe um dia;
Vem lavar o meu rosto
E põe-te ao pôr do sol na fornalha vermelha, por debaixo do mar
Onde repousas e de onde sabes ser,
Das tuas origens do teu lugar ...

Contigo, Nem Morta!

Se a verdade é sim, digo que não
Só para te convencer, só para te enganar
Se a verdade é não, digo que sim
Só quero saber de mim
A ti não vou contar

Insuportável, desprezível, idiota
Contigo nem morta
Nem a pé nem de carro nem de mota

Podes vir pintado, boleado e envernizado
Coberto de ouro, com ramo de flores,
Com o melhor carro ou com mil Tesouros
Mas fica já a saber que contigo não mais

Não me ligues, não perguntes nem penses
Ignora, finge que eu morri
Se pensares em mim faz outra coisa
É que contigo nem morta

A tua cara redonda já me enjoa
E teus beijos são mais uma tarefa
De ti não pode vir coisa boa
Teu cheiro de homem já não me arrepia
O frio na espinha agora só se for da azia

Teus olhos já não são bonitos
São mais pêndulos aflitos
Chatos e observadores
Ai que raiva! Que dores!

Só espero que um dia ao acordar
Não trema por pensar
Em tão tola que fui
Por te tratar assim
É que aqui no fundo no fundinho
No meu lado singelo
Eu sei que como tu
Mais ninguém gosta de mim.

Mas....
Contigo... Nem Morta!

Monday, March 02, 2009

Doraemon

Não sei o que este gato anda a fazer comigo
Ultimamente anda sempre a meu lado
Deve achar que eu preciso de ajuda

Se eu tropeço ele amolece o meu chão
Se eu me atraso ele para o tempo em geral
Não sei o que este gato anda a fazer comigo

Ele persiste em estar aqui, ele persiste em ajudar-me
Já lhe disse que não se incomodasse, que não era preciso
Ele sorriu em espanhol e continuou seguindo-me

Agora que já estou mais habituado a ele
Tenho medo que algum dia o tirem de mim
Que alguém ache que já não sou merecedor de seus préstimos
Temo, por ter a sensação de sem ele, me sentir só

Mas disseram-me um dia ao ouvido
Que para ele ficar basta nunca deixar de sonhar...

Ojalá mis sueños
se hicieran realidad
se hicieran realidad,
porque tengo un montón.

Doraemon puede hacer
que se cumplan todos
con su bolsillo magico
mis sueños se harán realidad.

Quisiera poder volar por el cielo azul.
(esto es el gorrocóptero)

Ha- Ha- Ha- Tú siempre ganas Doraemon
Ha- Ha- Ha- Tú siempre ganas Doraemon.

How Many