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Monday, September 21, 2009

Derradeira Jornada

Deitei a mala velha fora
Rasguei a camisa suada, e com ela envolvi a cabeça
Esventrei uma ideia quente e esmaguei o alcatrão

Os frisados cabelos brancos sobre as costas
E a barba escorrida como máscara ;
O calor tomando forma, em tornados espectrais
E a mente destilando o seu cerne

As encostas cercando o Homem
E ele a dar-se à terra
Corpo com pó, suor com chuva
Pés com chão, alma com prâna

Atrás dele, como sombra, a morte, com seu bordão
À espreita, definitivamente pronta para ceifar
A sua derradeira jornada.

Saturday, April 18, 2009

A Bandeja

O poeta
põe a alma, o fígado e uma paisagem
numa bandeja
Umas vezes tempera com um sorriso
outras com uma lágrima
e ás vezes com limão (que dá para tudo)
Dá-se a servir dizendo:
Isto sou eu!

Há quem se repaste
e quem apenas molhe o pão…

Assim se nasce para se matar
Assim se morre para se parir

É este sangrar constante
Dar-se a ser o que não é
Que o faz escrever, ser errante
Correr sem saber de quê

Poeta, eu?!
Nem morto!!!

Obrigado a João Monge por me ter dado de "bandeja" a liberdade de publicar este seu poema de que eu tanto gostei.
Clicar aqui para o blogue pessoal do autor.

Thursday, October 23, 2008

Sr. Toupeira

Indo para onde só eu vou
Caminho, secreto rasteiro
Espreito, respiro, procuro o abrigo
Longe escuro, fora do perigo paranormal, do drama social

Quente e denso, um ninho, recôndito, abraço de conforto
O espanto de tamanha inesperada hospitalidade
A terra do nunca num sonho partilhado
Estranho, diferente, irreal...

Fundo o mundo, o centro da terra já tão perto
Uma funda libertação de súbito enterrada
Num medo estranho, difuso, de passo inseguro
Perdido confuso, mas quente.

Procuro um abrigo, hospitalidade, um amigo
Cavo, escavo, raspo, esfrego, esmurro
Uma mina, uma solução, uma pepita de ouro

Brilha o puro dourado iluminado forte
Na mão imunda, arenosa que se mistura com o fundo da rocha
É isso, é a luz, é o fundo do túnel que espreita, que chama
Agita o coração dos Homens.

Vem até aqui, desfaz-te da rotina
Entra, tira as botas enche um copo
Fala com a toupeira que está algures entre a lareira e a cozinha a fazer chá
Conta a tua vida ao Sr. Toupeira.

Ele saberá ouvir-te... Vai ser bom.



24/10/2008
(a ouvir Vicente Palma)

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