Saturday, May 16, 2009
Vivo em Nós
Nas poças de água
Nas lágrimas azuis
Nas sílabas soletradas
Na poeira que vem com o vento
Nas paredes caiadas
No movimento dos barcos sobre as águas
No vai-vem da sorte dos amantes
Nos sonhos dos seus ouvintes
Nas mãos dos seus interpretes
Nos beijos dos seus destinos
Nos sorrisos mais alheios
Nos gracejos das cigarras
Na preguiça das formigas
E na graça do mundo
Vive no copo, no cálice e na taça
No sangue no calor e na melancolia
Vive sem que se imponha
E não me parece que de alguma forma se oponha
Pois é, Pois é... Há quem viva em nós.
Thursday, April 30, 2009
Palavras....
Doces e catitas
Palavras esmeradas
Que encantam armadas
Palavras distantes
De tão importantes
Palavras afoitas
De tão relutantes
Palavras que bastam
Que marcam instantes
Palavras que são só por si
Bons amantes
Palavras que têm um cravo na mão
Palavras que espalham a minha afeição
São pois as cuidadas
Que trazem pudor
E as mais brejeiras
Que espalham o horror
Quando de par em par
A malícia é certa
É bom que não fique
A porta aberta
São feitas em nós
Com fogo e emoção
As que voam pra lá do gesto de uma mão
Palavras bonitas
Tão fortes
Catitas
Palavras que vêm
Do meu Coração
Wednesday, April 29, 2009
O Lado Errado do tempo dos assassinos
Quando foi picado por uma abelha, numa esquina qualquer
Reviu para lá do espelho estranhas tradições
Que atrás de contradições davam estranhos passos em volta
Como numa balada estranha,
Em que uma estrela num trapézio feito de mar
Acorda uma miúda linda de 100 mil estrelas no olhar
Como um doce amor que por se sentir existe
Tão quente, a 50 e tal graus
Fervendo o mundo de quem tem pouco a perder
Que visto de cima no dorso da gaivota que voa frágil
Quase parece conter um demónio interior
Se os montes que restam, vistos do céu, neste voo tão nocturno
Sugerem fazer Yoga em pijama
Se as pontes ainda hirtas,
Lembram que anda sempre alguém por lá
Se as cartas de amor antigas
Deixam voar este sonho
É porque nesta espécie de vampiro malvado
Ainda resta algum fulgor na palma da mão
E se há muito tempo ele sabia haver sempre alguém
Hoje senta-se junto à ponte com a certeza farta
De que finalmente só, encontrou a velhice
Porém com a esperança de que enquanto houver alguém que ajude
Alguém para abrir o sinal
Agente vai continuar
'té já
Antes Lúdico que guloso
Titulo?!! Rápido alguma sugestão?
Antes Lúdico que guloso
Calmaria, cerrada, aperta o peito
Num mote de plágio ao ser mais perfeito
Uma alma penada sobre o parapeito
Canta a noite num presságio de morte
Fundo, cavando em seu leito tua sentença
Cresce a madrugada no último dia do ano
Busco a deixa primordial para o verso sub-humano
Lá fora a chuva cai mas eu preferia aguardente
Para reavivar o meu cérebro demente
É forte a tormenta das sinapses queimadas
Entre gestos débeis e gastos
Sucedo-me ao mago que sabe cantar
E que apregoa estar sempre a jantar
Falta-me inspiração para escrever poesia
A imaginação foge-me como uma enguia
Também não tenho voz para poder cantar
A hora é tardia não consigo pensar
Com mil milhões de macacos, nobres casacos
Rotos aqui e ali remendados
Portadores de tristes fados
Pertencentes a cavaleiros guerreiros solteiros, a eternos enamorados
Esmifro os carcomidos caroços
Do que ainda me resta para contar
Palavras calmamente apressadas
Já que o sono do mago teima em chegar
A noite cai em Rio Maior
A vida para o ano há-de ser melhor
Se a tosse comigo não acabar
Cá estarei nas tasquinhas para me embebedar
Possam estas palavras populares
Ser o fruto bruto do meu natural pensamento
Possa o amor que aqui detenho
Caber nesta conversa, nesta mão vincada a ferros de tão pouco tamanho
Tenho em mim o jovem expedito
Que põe fim ao maldito degredo
Das mais líricas conversas de tasca
Às externas políticas de medo
Gustavo Andrade, Luís Gravito e André Sebastião
Três genialidades remetidas ao teclar exasperante...
Thursday, April 23, 2009
Eu Sou
O voo com o rastejo
O tremor dos passos com o chilrar dos pássaros
O vazio de um copo com o pranto da saudade
No fluir das diluências sumarentas da vida
Navego sem barco, sem vela ou navio
Içando o meu corpo ao sabor do vento da perseverança
Nesta cidade, neste planeta, neste espaço
Posso dizer: Eu sou
Monday, April 20, 2009
Como um jogo 1,2,3 - 1,2,3
Que mascarado de canário de aviário
Voa feito corvo nos meus pensamentos
Esvoaça a sua sombra negra
Sob a estátua erguida em pedra
Que num ímpeto escondido avança
Petrificando-se de seguida sob o nosso olhar
Como um jogo 1,2,3 - 1,2,3
Lança o dado outra vez
Casa á frente casa atrás
Como um jogo 1,2,3 - 1,2,3
São as contas que Deus fez
E por detrás das paragens continuas
Descem os vultos curvados de negro a avenida
Casa á frente casa atrás
Vive um pássaro no Chile
Que mascarado de canário de aviário
Voa feito corvo nos meus pensamentos
Saturday, April 18, 2009
A Bandeja
põe a alma, o fígado e uma paisagem
numa bandeja
Umas vezes tempera com um sorriso
outras com uma lágrima
e ás vezes com limão (que dá para tudo)
Dá-se a servir dizendo:
Isto sou eu!
Há quem se repaste
e quem apenas molhe o pão…
Assim se nasce para se matar
Assim se morre para se parir
É este sangrar constante
Dar-se a ser o que não é
Que o faz escrever, ser errante
Correr sem saber de quê
Poeta, eu?!
Nem morto!!!
Obrigado a João Monge por me ter dado de "bandeja" a liberdade de publicar este seu poema de que eu tanto gostei.
Clicar aqui para o blogue pessoal do autor.
Thursday, April 16, 2009
Tempo
Que às vezes pergunto-me se vale a pena apanhá-lo
Por entre o ócio tão inato e a angustia da passagem dos segundos
Perco o meu tempo em corridas estáticas em redor de mim mesmo
E nas noites defumadas giro no copo vaporizado que me intriga
Sei lá se corro ao favor, ou se me afasto na outra direcção
Nem se sei da escassez do tempo que se urge
A morosidade ostenta por vezes uma velocidade que se prevê inalcançável
E os sulcos despidos do rumo a traçar revelam lombas num looping que se cumpre descalço
É assim a roda gigante em que as almas se movem e os corpos se arrastam
Monday, April 13, 2009
Nos altos véus de Lisboa
E a esquina ter sua vida só por ser tão branca e curva
Pode o calor destes corpos
Ser demais prós vendavais
Pode a alma que o beija
Ser da fina cereja, um barco no meu cais
E a sua nobre noite apregoa a canção
Dediquemos-lhe tempo vontade e emoção
E se o céu desperto oculta a liberdade
Soltam-se as amarras ao cais da saudade
Oh meu amor, fruto da minha voz
Oh meu punhado por dentro somos nós
E se as calçadas pois são por Deus erguidas
Se as vontades por doerem são feridas
Pode a sorte marcar nesta alma errante
Um rumo mais distante
E o rumo ser fervor
Sunday, April 12, 2009
Deitados no Éden
Que até me lembra os dias quentes em que de gatas nos perseguíamos por entre a relva e as borboletas
Está uma luz tão intensa na tua cara
Que até encanta as cores tão fortes das papoilas
Está um mar tão sereno nos teus olhos
Que chega até a amainar as minhas ondas litorais
Está uma dor tão grande no teu peito
Que até aflige as asas das andorinhas
Está a tua luz em corpo deitada
Por entre o campo verde coberto de pintas amarelas
Mal-me-quer Bem-me-Quer
Estamos nós os dois no Éden
A ver os astros se rodarem na sua formação
Estamos os dois deitados
A minha na tua, e a tua na minha... mão.
Wednesday, April 08, 2009
Fado
O senhor das vontades
O déspota dos desejos
Cabe em mim um dom imperativo
Um cabimento sem cabimento que é desmedido
Uma vontade quiçá veleidade impelida
Utopicamente visionada para a vida
Um caminho discreto
De contorno incerto
Uma ordem que é ordem
Que exalta as liberdades
Feras indispostas rugem inconscientes
Sinos efusivos tocam badalando-se imponentes
O panico é visível nos olhares bem enxutos
As vozes são entoadas no meio de tumultos
Resta a mão sóbria sob a mira decadente da vontade humana
Fica o futuro próximo nas mãos vitoriosas desta espécie profana
E resta o amor, triste e desagasalhado
Que sem ter tecto...Ecoou as mágoas reluzentes de um passado fadado.
Ao som do Cão da Morte
Monday, April 06, 2009
Se nas costas brancas do mundo
Cai a noite em finos filamentos cósmicos de penumbra
Para lá do monte folheado, restam ainda domínios crepusculares por desvendar
Para lá dos ombros da sorte, mumificam-se as vontades tão bem descritas e legadas
Por um destino texturizado que decalcando o virgem lacre da sorte
Se escreve por entre as portas decifradas de um futuro
E para lá dos portos seguros e sinceros
Tocam os sinos em forma de presságio
As ondas emanadas livremente vibrantes
Revogando o grito, que em negro desespero apregoa os estilhaços dilacerantes de um passo ao lado
De hábito em punho, caminho, na cera da vela pulsante
Que raspando achas de luminosidade pálida
Investiu insana na parede viscerosa
E num tumulto abafado de chuvas imperiais
Cresceu um cisco bafejado pelas tendências levianas de uma vontade impropria
Pairou e foi, até que sentado na noite
Escreveu
Sunday, April 05, 2009
CHOC
Para a boca salivada o juntar...untar
Friday, April 03, 2009
Frase da Noite
Música da Noite
I've been a wild rover for many's the year
I've spent all me money on whiskey and beer
But now I'm returning with gold in great store
And I never will play the wild rover no more
And it's No, Nay, never,
No, nay never no more
Will I play the wild rover,
No never no more
I went in to an alehouse I used to frequent
And I told the landlady me money was spent
I asked her for credit, she answered me nay
Such a customer as you I can have any day
And it's No, Nay, never,
No, nay never no more
Will I play the wild rover,
No never no more
I took up from my pocket, ten sovereigns bright
And the landlady's eyes opened wide with delight
She says "I have whiskeys and wines of the best
And the words that you told me were only in jest"
And it's No, Nay, never,
No, nay never no more
Will I play the wild rover,
No never no more
I'll go home to my parents, confess what I've done
And I'll ask them to pardon their prodigal son
And, when they've caressed me as oft times before
I never will play the wild rover no more
And it's No, Nay, never,
No, nay never no more
Will I play the wild rover,
No never no more
Conversas de Pais - O meu " Senta-te aí "
Pensa meu... Vá lá! Ouve com atenção. A vida não é só correr, tens que parar para decidir.
Como já dizia aquele cantor, o tal de Jorge Palma:
"Tu tens que estar sempre atento
Se queres sobreviver
Tens de saber travar
Não basta saberes correr"
E nem mais! Este sim, é um homem que sabe da vida. Bem... a... tem as suas coisas... mas isso também... quem não as tem!
E tu pah! Vê mas é se atinas... E se te comportas...
É isso mesmo filho! tens que saber travar, não basta correr.. ahah, este gajo é que sabe.
Hmm... Hmm....! Bem, vai lá rapaz! Vai. E tem juízo ham?! Não me arrelies, nem a mim nem à tua mãe!
Monday, March 30, 2009
I will never...
You must not fear your tears
Your soul is planted on you
You could see her if you look through
Sitting in the back of the world
Hanging around between these stone age avenues
You will find the meaning of true life
Give up of sadness, forget your madness
Live and smile, enjoy your kindness
Bring back your throne
Don't share your painfull thoughts
You must realise how wrong you are
Keep shining, keep going up
You must never forget about your modes
And, if the tears come streaming down your face
If couldn't find something to replace
Hold my arms, now and forever
Giving up of you? You may be sure, will never
Saturday, March 28, 2009
Na calada mão soberba negra que é a noite
Vincados os olhos sobre a terra pálida
Segregam os sonhos os corações profundos
E nas entranhas despidas jazem selvagens
Mucosas tamanhas de esterco e de lixo
E se o medo é condutor de receio
Pode o sangue negro de seco ser assim sem explicação
No revolto mar tempestuoso
Afogam-se as mágoas e os corpos e os ossos que moribundos
Teimam em vir dar á costa
Noite a dentro pesca um barco iluminado
Com 7 homens a bordo e mais 10 mulheres em terra
Dispara-se um tiro, mais um alvo que se erra
E no sinuoso caminho matreiro
Espera sentado um velho amarrotado
Porcas mãos, porca cara!
Nada mais.
inspiração e expressão entre " " : Al Berto
Thursday, March 26, 2009
Sentidos
Hoje quero contar ao mundo algo mais sobre mim, mas não sei o quê, nem como... Analogias perfeitas não as há, e se as há, se é que as há, eu cá não as faço. Se é que sou inteligente, não entendo porque é que ser inteligente não me faz mais inteligente mas ao invés me faz parecer mais burro... do que... mas... tanto que eu penso...! E porquê e para quê?
Se o mundo fosse uma enorme maçã dourada, eu seria... (algo pouco óbvio, é o que a minha mente busca para encaixar aqui)... O que eu pergunto, é até que ponto é que isso é bom?..
Até que ponto é que isso me faz bem...?
Boa Noite
Friday, March 20, 2009
Passos de Merlin
Pela calada da noite
Levam dois motivos
De sobra em cada pé
Vão sorrateiramente evadindo-se com cuidado
Vão pé, ante pé, escapando-se do seu destino
Levam o ar torpe e a fronte descuidada
Levam um pouco brilho e a traseira deslavada
Rasteiros, foragidos, rasteirinhos
Farejam, farejam, suplicas de prazer
Rasteiros, foragidos, matreiros
Farejam, Farejam a noite que se encena
E na mesa forte e velha
Escreve um sábio de papel e pena
As velas são sua luz
O papel a sua viagem
Na cabeça um chapéu cinzento
No corpo vestes compridas
Nas mãos a destreza infindável
Acompanhada de algumas feridas
E os passos madrugados, fogem fogem da pena
E o sábio moribundo já não sabe apanha-los
Pede ajuda a seu vassalo que prontamente se rasteja
Pede ajuda a seu Deus dizendo que por eles almeja
E sem passos ficou o Sábio
Que vindo a morrer entravado
Jurou pelos seus botões que sem seus passos
Não iria, pois a mais sitio, do que a nenhum lado
Wednesday, March 18, 2009
Sabes bem...
Sabe bem ter emoção
Mais uma vez ando livre
Fulgurante numa prisão
De não te ter e esperar
Que me partas o coração…
Tenho a alma estilhaçada
Embora continue a sonhar
Como seria estar contigo
Para esta esperança partilhar
Já não é a primeira vez
Que a voz anuncia este fado
Talvez seja o destino que queira
Que por mim não sejas amado
E não é tarde nem é cedo
Que o mundo nos acene impune
Braços abertos de mãos dadas
A isso não sou imune
Fulgurante maravilha
Vento da minha cidade
Traz em seus lábios um sina
Mil desejos e vontade
O sabor é tão difuso
E conciso ao mesmo tempo
O sabor é o trazido
Nas asas vagas do vento
Prendeste-me e como
Sabe bem ter emoção
Mais uma vez ando livre
Fulgurante numa prisão
De não te ter e esperar
Que me partas o coração…
Tenho a alma estilhaçada
Embora continue a sonhar
Como seria estar contigo
Para esta esperança partilhar
Sabes bem, sabes bem
Até eu voltar
Monday, March 16, 2009
Ele olhou-a nos olhos e respondeu de forma seca que hoje ia ser simpático
A simpatia sorriu, e o Zé pôs a saca às costas e sumiu
Lá foi Zé simpático com seu ar empenado
Numa mão uma pedra e noutra um isqueiro
Numa boca um sorriso e noutra dentes
Zé simpático era imortal
Pescava no rio ao pé de casa...
(...) isto está a ficar uma grande cagada, vou-me deitar...
Zé simpático - ahah - Mas que merda é esta André?
... enfim.
Saturday, March 14, 2009
Persegue os bons homens na paz e na luta
É portal de gloria e aclama vitoria
É portal de luz de tudo o que é mais
Não sendo assim o céu
Ele é assim espelhado
Seu mui nobre karma de verde empedrado
Carrega na barriga um grande nódoa de prata
Do mais fino sabão se banham as ninfas
Do mais fino sabão se deseja o corpo
E possa o homem ser a sorte e o mundo aqui o ter
E possa a vida conter o cálice de fogo
E dele a tentação beber
Um rumo certo num caminho seguro
Um futuro incerto para lá de um muro
Resta o corpo no rasgado
Resta a Alma paralela
Resta mais um, caso encerrado!
E por detrás dele um rosto sincero
Era uma vez uma visão tão real
E na sua face um sorriso amigo
Conversa desprovida de interesse
O sim porque sim, o não por que não
O que é que achas disto? E daquilo?
Tão bom não é... não ter sempre razão
Dotado de intuição é seu ser
Que intui, quase sempre certo sem saber
De forma algo inconsciente e sem saber explicar
Vagueia na vida... Quem sabe se só.
Escolheu não querer ver
Vendo por um buraco
Escolheu não saber
Escolheu ser quem é
Porque neste mundo ainda há surpresas boas
Porque neste mundo ainda faz sentido a palavra amizade
Obrigado
Friday, March 13, 2009
O que é do medo que lhe corre nas mãos
Que é dessa sorte que se esvai em suor
Se amarrada ao cais vê o barco partir
Sente que do peito o destino escorrendo
Cai derramado por entre o batelão ferrugento
Ela vagueia entre cá e lá
Não sabe se foi, nem sabe se está
Vive nos olhos negros do pedinte imundo
E vive na ruga de um velho trémulo e esquecido
É alma dos rios, dos barcos e das gaivotas
O corpo dos cheiros da foz e das tradições
Vive contemplando o sol reflectido
Nas águas que correm com forte temperamento
Rumando juntamente com a voz de novas rotas
Lamenta não ter podido criar os filhos
Lamenta ser viva numa causa vã
Procura para sempre o amor nas gentes
E chora quando ouve chamar por mamã
Ruiva a sua cara de vermelho podre
Preto seu sangue de grumos de cetim
Abriu o peito para Deus lhe dar
Uma corda branca no fundo, sem fim
Trepou, trepou, trepou pois então
E subitamente uma chama se acendeu
Dentro do seu peito...
De novo, palpitou o seu coração
Saturday, March 07, 2009
Pode a noite ser o dia e sorrir só por te ver
Pode a estrada curta e estreita
De tão cumprida nunca acabar
Pode o céu que te acoberta apenas terminar no mar
E se lá dentro, da plena e dura madrugada
Morre o cinto e as horas passam naquela enseada
Se o futuro nos bafeja com seu hálito afoito
Pode um dia ser o homem mais oitenta do que oito
Pois venha a terra e fogo se unirem com o mal
Venham três sempre juntos pra se virem encontrar
Tragam sangue, tragam sorte, tragam a vida e depois a morte
Os caminhos os destinos os mapas de tesouros
E neles os segredos daqueles dos mais confinados
Que por ser tão bem guardados valham a pena violar
Posse a sorte, ser a corte , e nela ter o seu lugar
Possa o dia ser um mapa para na noite te encontrar
E se a morte em eco fala sussurrando contra a parede
Pois é hora de vingar, pois é hora de ter sede
Venha a mim o pensamento e nele o seu tormento
Venha a mim a minha espada e nela minha amada
E venha a mim o poder para pela calada te vencer
Ai quem é que o possa derrubar
E se restar na tua mão alguma poeira por soprar
Conta espera, espera conta
Eles hão de voltar.
Friday, March 06, 2009
Tejo, oh tejo
Tejo oh tejo em teu reflexo minha mão
Tejo oh tejo minha vida é ver-te correr no teu fluxo poente
Em tuas águas meus beijos se espelharam
Em teus finos regos meus caminhos se cruzaram
Tejo, oh velho Tejo, diluente de Paixão
Rio dos meus sonhos, leito dos meus braços
Em ti cabem dos meus quantos abraços
De tua força em mim a esperança de um outro dia
Tejo, oh fiel pensador
Seu mantra desprovido de complicações
Encorajador de amantes e das suas convicções
Leva em tuas águas meu corpo morto
Mas não hoje... hoje não
Quem sabe um dia;
Vem lavar o meu rosto
E põe-te ao pôr do sol na fornalha vermelha, por debaixo do mar
Onde repousas e de onde sabes ser,
Das tuas origens do teu lugar ...
Contigo, Nem Morta!
Só para te convencer, só para te enganar
Se a verdade é não, digo que sim
Só quero saber de mim
A ti não vou contar
Insuportável, desprezível, idiota
Contigo nem morta
Nem a pé nem de carro nem de mota
Podes vir pintado, boleado e envernizado
Coberto de ouro, com ramo de flores,
Com o melhor carro ou com mil Tesouros
Mas fica já a saber que contigo não mais
Não me ligues, não perguntes nem penses
Ignora, finge que eu morri
Se pensares em mim faz outra coisa
É que contigo nem morta
A tua cara redonda já me enjoa
E teus beijos são mais uma tarefa
De ti não pode vir coisa boa
Teu cheiro de homem já não me arrepia
O frio na espinha agora só se for da azia
Teus olhos já não são bonitos
São mais pêndulos aflitos
Chatos e observadores
Ai que raiva! Que dores!
Só espero que um dia ao acordar
Não trema por pensar
Em tão tola que fui
Por te tratar assim
É que aqui no fundo no fundinho
No meu lado singelo
Eu sei que como tu
Mais ninguém gosta de mim.
Mas....
Contigo... Nem Morta!
Monday, March 02, 2009
Doraemon
Não sei o que este gato anda a fazer comigoUltimamente anda sempre a meu lado
Deve achar que eu preciso de ajuda
Se eu tropeço ele amolece o meu chão
Se eu me atraso ele para o tempo em geral
Não sei o que este gato anda a fazer comigo
Ele persiste em estar aqui, ele persiste em ajudar-me
Já lhe disse que não se incomodasse, que não era preciso
Ele sorriu em espanhol e continuou seguindo-me
Agora que já estou mais habituado a ele
Tenho medo que algum dia o tirem de mim
Que alguém ache que já não sou merecedor de seus préstimos
Temo, por ter a sensação de sem ele, me sentir só
Mas disseram-me um dia ao ouvido
Que para ele ficar basta nunca deixar de sonhar...
Ojalá mis sueños
se hicieran realidad
se hicieran realidad,
porque tengo un montón.
Doraemon puede hacer
que se cumplan todos
con su bolsillo magico
mis sueños se harán realidad.
Quisiera poder volar por el cielo azul.
(esto es el gorrocóptero)
Ha- Ha- Ha- Tú siempre ganas Doraemon.
Thursday, February 26, 2009
A mão que sendo só conquista esguia
Levando em seus dedos os aromas de uma noite
O tabaco o perfume e a bebida
Reunidos numa receita nocturna embevecida
De uma mística reunião de sentidos
Estando as almas a cima dos corpos
E os corpos acima deles mesmos
É claro o tom vermelho da taça de vinho difusa que aquece
E se a secura da garganta se faz de tentação
Se teus olhos servem de alucinogénio puro
Se a tua boca é meu ópio
Ora doce sedução que é passar minha mão
Por teu corpo quente... arrepiado
E quando as almas se amarram por entre os corpos celestes
Quando nem o cosmos as contém
É ver a luz que se estende cerrada por entre as frinchas das janelas
E soltar um ultimo e derradeiro abraço
Wednesday, February 25, 2009
Mofala Zangado - O Herói de Sangala
Casos que não devem ser divulgados
Há historias estóicas que devem manter-se no silêncio
Ressoa um boato em Sangala
Sobre os actos de bravura de um velho herói
Que tem em seu sangue uma vontade espalhada
E dele reza a lenda que nem tinha espada
Forte e robusto pelo sol treinado
Desafiou as forças da natureza num corço montado
Diz-se por aí que dobrou montanhas e levantou mares
Que matou dez mil homens com meros olhares
Mofala Zangado viveu em Sangala
Teve seis mulheres e filhos de sobrar
Foi um grande herói e sem saber porquê
Tudo fala dele, mesmo aquele que não vê
E quando as crianças não querem comer
Mofala Zangado vem para as obrigar
Já dizia a avó ao neto amuado
Se não comes tudo: Mofala Zangado!
Monday, February 23, 2009
Bom Dia II
Não sei sequer o que hei de dizer
Digo-o por ver o que se passa no espelho
Eh co raio do fedelho faz cada trejeito
Se lhe perguntam seu nome, ele treme ao dizer
Se lhe toca o telefone gagueja ao atender
Falta qualquer coisa a este sujeito
Não sei dizer nem ao certo explicar
Se lhe apetece gritar jamais o fará
Teme que o ódio fale por ele
E nem desconfia que a consumição
Se faz de engolir a tal humilhação
E voa baixinho, quando alto voou
Buscando de novo o que não encontrou
Leva consigo só mais confusão
De paredes timbradas de indignação
E quando se esconde em total solidão
Procura em seus pés um rasgo de ilusão
E pede a Deus que lhe acenda uma luz
Dizendo baixo que o impossivel seduz
Se a noite só traz um triste sentimento
Vamos dar as mãos e criar movimento
Gritemos bem alto que sim e que sim
Que não, não é hora de chegar ao fim
E se lhe for permitido acordar de manhã
Dirá que está salvo mantendo o ressalvo
Mas decerto expressando que o dia trará
Algo bem diferente que se expressará
Sob formas concretas de bens ideais
E é esta a tradução no mundo dos mortais.
Bom Dia.
Estendendo seu tapete viscoso desde Alfama a Madragoa
Apanham seus súbditos em súbitos vícios viciantes
Que os fazem tornar a voltar perdidos e errantes
Trazem em bolsos distintos
Desejos famintos
De saciar sua fome
De quem há mil anos não come
Levam tiram, partem vão
Dilaceram o destino
Nunca pedem perdão
E quando á noite rodam na cama que já não os embala
Levantam-se de mansinho e passando pela sala
Levam um pouco do recheio
Para rodar no meio
E voltam à cidade que os espera faminta
Pela sua injecção de capital sub-urbano
Para essa economia de subterfúgios
Que se esconde em vielas por entre mil refúgios
Despeja em seus homens cinzas decadentes
Pós dos consumidos que não podendo fugir
Giraram, giraram, sem sitio pra ir
Brancos serão, branco é...
Brancos serão, branco é...
Sunday, February 22, 2009
Frágil
Tropeçando no copo, na garrafa
Descobre atrás de uma parede uma praça
Embriagada rodopia para um ralo fundo
Pedra a pedra se consome o meu chão
No banco do jardim está sentado um tornado
E nele um cavaleiro montado
Segue a viagem o personagem principal
Num súbito instinto carnal
Olfacto apurado de seu púlpito espreita
Desce e se esgueira pela porta direita
Soma e segue caminhos estreitos
De onde escorrem regos de agua perfeitos
Sujos, conspurcados...
Não tendo nada para dizer
Foge da sua sombra moribunda
A sua alma fecunda
Segue, Frágil... Pela cidade empedrada.
Friday, February 20, 2009
Podia jurar ter-te visto à janela
No dia em que pela primeira vez foste capaz de te livrar dela
Tiraste-a do teu corpo com pedra de sal e sabão
E depois escondeste tudo num garrafão
Podia jurar ter-te visto à janela
No dia em que pela primeira vez te vi sorrir ao sol
Reluzente de tão branca tua testa singela
Também ela estava feliz por lá estar, a janela
E se uma voz forte e quente ao telefone te disser
Sai de casa e mete-te no primeiro taxi que vier
Eu seguir-te-ei por essa estrada fora
Mesmo que vás para lá da zona em que ela mora
Se isso acontecer, por vontade ou por desalento
Posso estar certo que no seu rosto apenas restava tormento
Do excesso que tens mais não te convém
Segue em frente acelera
Depois se falaremos ao serão
Do dia em que pela primeira vez foste capaz de te livrar dela
Tiraste-a do teu corpo com pedra de sal e sabão
E depois escondeste tudo num garrafão
Não foi tarde nem cedo
Podia jurar ter-te visto à janela
Tuesday, February 17, 2009
Partida
Partir, deixando para trás uma história fraterna e os cozinhados da Tia Augusta. Partir também, por sentir ser esse o meu caminho, muito embora, precipitado pela carta que recebera faz três dias. Embora amedrontado, segurei forte a saca de estopa que carregava os meus escassos pertences, assomei-me à janela para fitar pela última vez o olhar saudoso do meu primo Calhau, que ocupava agora a sua mão esquerda com a tarefa de esconder a lágrima que tanto queria debruçar-se para escorrer pelo seu rosto. Ele estava crescido, pois estava… Não queria chorar para ser como o seu pai, um homem forte e valente. Ele já o era, mesmo pensando que era preciso não chorar para o ser. No meu bolso carregava a carta que tinha recebido de minha mãe, que se encontrava com o meu pai, emigrada, em França, e, na minha cabeça, ainda giravam as palavras soletradas pela Tia Augusta: “Meu querido filho, já temos o suficiente para que venhas ao nosso encontro…” no fundo, eu sabia que não seria bem assim, que as coisas não estavam fáceis e que a doença do meu pai só veio agravar a situação, o que de facto os consumia era que eu fosse chamado para cumprir o serviço… para ir à guerra.
E, para que isso não acontecesse eles fariam qualquer esforço.
À beira de alcançar a maioridade, ia eu sentado, sentindo na pele fria o frio dos bancos de couro da carruagem que rumava a todo o vapor para Vilar Formoso. Se lá na frente distintos senhores liam periódicos, cá para trás restavam uns quantos semblantes tristes, e, mais do que os rostos, eram as malas de cartão, presas com atilhos de cordel cheios de nós em todo o seu comprimento. As palavras da minha mãe pesavam-me no bolso, tanto, que sem dar conta nunca cheguei a largar a lapela do casaco, contudo, confortava-me a paisagem que se arrastava colorida com o sabor da velocidade na janela poeirenta. A cada passagem, um novo quadro, que, por ser primavera era de todas as cores pintado, graças às flores que despontavam em todo o seu fulgor.
Pensava para mim, que se naquele dia fosse uma flor, seria uma flor de pétalas cerradas, amedrontada pelo desconhecido, pelo frio, pela chuva, pelo desconforto exterior. Mas como cabe a uma flor abrir-se, dar seus frutos, e, depois murchar, cabia-me a mim também cumprir o destino que a natureza me conferia. Tinha de enfrentar aquele momento e os que se seguiriam, com coragem para poder vingar, tinha de me abrir para o mundo, tinha de ser forte…
Se, mentalmente me sentia impotente, no peito, transportava uma força quase tão grande como a da locomotiva que avançava galopante sobre os carris de metal. Era um jovem viçoso, traço característico da idade, bem sei, mas nunca deixei de desconfiar que tal viço se devesse em grande parte aos cozinhados da Tia Augusta, que não deixara de me preparar para a jornada uma deliciosa merenda, com luxos, que eles mesmos, só tinham nas mais festivas ocasiões. Desde o presunto, à marmelada caseira e às sandes de torresmos, no embrulho, não faltava nada… Um autêntico cabaz de sabores e de recordações que me apetecia guardar para sempre, não fora a fome por saciar.
Já levava duas horas longas de viagem, e, já me tinham dito que de Castanheira a Vilar Formoso ainda faltaria pelo menos outro tanto. Não me importava com o tempo, para além de ter muito, naquele momento, ele era meu conselheiro e encorajador. A morosa viagem era então forma de me fazer pensar sobre mim próprio, coisa que até à data não era hábito frequente. Apertava-me a barriga o pensamento sobre o desconhecido e sobre a outra realidade que iria encontrar quando chegasse a França, bem diferente daquela que eu conhecia, a da pureza do campo. Ao mesmo tempo, estava feliz por saber que ia rever os meus pais, era aquilo por que eu mais ansiava desde da sua partida, há cinco anos. Mal podia esperar pelo momento em que voltasse a sentir o abraço da minha mãe, e o cheiro dos seus cabelos.
Naquela altura ainda não estava bem ciente de que aquela viagem era apenas uma onda no mar de mudanças que seria a minha vida a partir daí. Como a flor, era chegada a minha altura de florir. Para mim, havia chegado a Primavera.
Camille Pissarro, Lordship Lane Station, Dulwich, 1871.O 1º Paragrafo não é de minha autoria é sim um mote de uma conhecida escritora que quando souber referirei o nome.
Monday, February 16, 2009
Vamos lá para vingar
Vamos lá sem saber que pedaço levar
Vamos lá mas sem pressa, que o prato frio sabe pior
Vamos lá de manhã...
Ou ao fim da noite...
Vamos lá sob o escuro ou sobre a penumbra
Vamos lá de mansinho e com astucia
Vamos lá ver então quem é que manda aqui
Vamos lá ver então de matéria somos feitos.
Vamos lá ver então se o fim se adivinha
Vamos lá!
Monday, February 09, 2009
Pois não, pois é
Tira a mão deixa o pé
Pois não, pois é
Pois sim, vem cá não doi
Isto é coisa que moi
Não doi não doi
Remoi, remoi, então
Ouve o teu coração
Pois não, pois é
Assim enfim p'ra mim
Deixa estar tudo assim
Para sempre aqui
Passado é então guardado
E lá longe enlatado
Pois não, pois é
Presente é então assente
Ele é que é pr'a estar
Pois não, pois é.
Wednesday, February 04, 2009
Simplesmente
Dias em que a fome surge naturalmente antes da comida
Dias em que depois do vermelho vem o verde
Dias em que o céu está cinzento e chove
Enfim... Sinceramente já nada disto me comove
Tudo isto é banal, e por ser assim, também os passos seguintes são banalmente arquitectados por mim
Dentro da minha cabeça, louca de tantas teias de aranha
No meu intimo onde ascendem bolas de oxigénio de tão activo
Se fosse agora 2005 eu diria muito bem, pois bem.
Se fosse agora 2006 eu diria, não há problema, sou eu
Se fosse agora 2007 eu diria, tenham pena
Se fosse agora 2008 eu diria au!
E por ser 2009 eu digo que já sei, que já vi
Que já chorei, já sorri, enfim... Também eu já o senti
É o filme da 4 em loop loopado
É o fatídico fado cantado, por uma Amália
Que hoje em 2009, já conheço... melhor do que nunca.
É 1:43, e tenho que me deitar cedo... Boa Noite (aqui eu assopro, a vela apaga-se e tudo fica...) exactamente. Comentem seja quem forem... Qualquer coisa.
Sunday, February 01, 2009
A chorar não por fora, mas por dentro
Do teu olhar de luz, criar o frio
Cheira a vela que se consome fio a pavio
Pavio aceso preso em teus gélidos brancos dedos
Que levam minha fala a contar-te segredos
Pronto, é óbvio. Merda para ti.
Tinha de ser com segredos.
Insensatos pecados que aguardam, mortais em caves guardados
Apodrecem envenenados, fermentando ao frio num crepúsculo vazio
Um rio de insanidade leviana, um duo de alma profana
Uma corja grosseira sem eira nem beira
Um bando de escarafunchas, escarafunchosos, difusos mal cheirosos.
Resto eu, abrigado do frio, sob o pano fino vazio de fazenda creme
Possa eu ter como ultimo repasto, algo de tão pequeno vasto como um verme
Verde por fora e podre em seu cerne, por ele feito e por ele eterne
Descanse agora em paz pois não,
O Rei foragido e o seu ducado, que quando por ele tocado
Morre em cinzas tal não é o condão do seu pobre jeito
Que por um malfeito, mata em terreno alheio
Dando então como seu condado seu misero ducado imperfeito
Não restando nada mais para ver no seu podre suplantado leito.
Já mais então refeito.
André e Rui
Saturday, January 31, 2009
Já soubeste voar
Rodopia os olhos sob as paredes deprimentes
Rebola na tua podridão escrava das aparências
Sobe as escadas pensante no mofo entranhado
Associa o frio à tua caixa de correio vazia
Cola a mão imunda ao torpe corrimão
Sobe ao topo da tua empenada torre
E pede com força para o vento te lavar a alma
Pede com força para a chuva te lavar a cara
Esconde os olhos da brutalidade tempestiva da realidade
Depois atira-te
E antes de tratares o chão molhado e escuro por tu
Lembra-te de que um dia
Já soubeste voar
Friday, January 30, 2009
Molhar os meus sentidos
Ressentidos da poluição
Vem, Chuva, Vem
Leva-me do peito a saudade
E a solidão
Vem, Chuva, Vem
Lavar os meus cabelos
E os dedos amarelos do fumo
Vem, Chuva, Vem
Encher a maré
Dar movimento a este barco sem rumo
Haja o que houver
A chuva não há-de acabar
E seja lá como for
Este velho Mundo continua a girar
Wednesday, January 28, 2009
.
Parecem ter sido poucas para descrever...
Um laço que não sei explicar
E que sei, certamente, não mais voltar a ter
Um misto de ternura e compreensão
Partilhando o mesmo astral, curioso
O mesmo signo sensível e manhoso
Basta olhar para entender
O que a tua expressão me quer dizer
Basta uma festa para expressar
Tudo o que eu te possa querer contar
Custa aceitar que tenhas de ir
Simplesmente te queria dizer
Que o que mais falta me faz ultimamente
É ver-te sorrir
Com o teu sorriso inato como o meu
De gozão infernal, de tão natural
Obrigado amigo...
Obrigado avô.
Monday, January 19, 2009
Ah não!
Ah não não deves.
Não, nada, esquece
Não te atrevas
Chora para aí.... Mas não podes não deves
Teme Teme Teme...
Que realidade tão pouco virtual...
A necessidade de planar provavelmente deve ter algum significado maior
Estuda cabrão...estuda...
Thursday, January 15, 2009
Para sempre
Se as tuas mãos tremem, agarra forte as minhas
Se a lágrima espreita o chão, põe-lhe a mão por de baixo
Se te sentes só, fecha os olhos
Se na garganta tens um nó grita
Vê teus olhos no espelho...
Eles são o reflexo do teu espectro
Voa como uma bailarina
E sorri...
Se nas minhas mãos tens conforto
Nos meus abraços um porto seguro
Podes sempre vir ter aqui
Eu vou-te abrigar
Se o chão te faltar
A saliva te amargar ou uma porta se fechar
Sabes sempre onde eu vou estar
Neste canto meu, tens o mundo que é só teu
Neste mundo meu tens um canto que é só teu
Um canto, mas um canto ao centro...
Onde é o teu lugar, onde te podes encontrar
E eu a ti, e a tu a mim
Para sempre
p.s para a minha pata (rainha dos patos)
