Friday, March 06, 2009

Contigo, Nem Morta!

Se a verdade é sim, digo que não
Só para te convencer, só para te enganar
Se a verdade é não, digo que sim
Só quero saber de mim
A ti não vou contar

Insuportável, desprezível, idiota
Contigo nem morta
Nem a pé nem de carro nem de mota

Podes vir pintado, boleado e envernizado
Coberto de ouro, com ramo de flores,
Com o melhor carro ou com mil Tesouros
Mas fica já a saber que contigo não mais

Não me ligues, não perguntes nem penses
Ignora, finge que eu morri
Se pensares em mim faz outra coisa
É que contigo nem morta

A tua cara redonda já me enjoa
E teus beijos são mais uma tarefa
De ti não pode vir coisa boa
Teu cheiro de homem já não me arrepia
O frio na espinha agora só se for da azia

Teus olhos já não são bonitos
São mais pêndulos aflitos
Chatos e observadores
Ai que raiva! Que dores!

Só espero que um dia ao acordar
Não trema por pensar
Em tão tola que fui
Por te tratar assim
É que aqui no fundo no fundinho
No meu lado singelo
Eu sei que como tu
Mais ninguém gosta de mim.

Mas....
Contigo... Nem Morta!

Monday, March 02, 2009

Doraemon

Não sei o que este gato anda a fazer comigo
Ultimamente anda sempre a meu lado
Deve achar que eu preciso de ajuda

Se eu tropeço ele amolece o meu chão
Se eu me atraso ele para o tempo em geral
Não sei o que este gato anda a fazer comigo

Ele persiste em estar aqui, ele persiste em ajudar-me
Já lhe disse que não se incomodasse, que não era preciso
Ele sorriu em espanhol e continuou seguindo-me

Agora que já estou mais habituado a ele
Tenho medo que algum dia o tirem de mim
Que alguém ache que já não sou merecedor de seus préstimos
Temo, por ter a sensação de sem ele, me sentir só

Mas disseram-me um dia ao ouvido
Que para ele ficar basta nunca deixar de sonhar...

Ojalá mis sueños
se hicieran realidad
se hicieran realidad,
porque tengo un montón.

Doraemon puede hacer
que se cumplan todos
con su bolsillo magico
mis sueños se harán realidad.

Quisiera poder volar por el cielo azul.
(esto es el gorrocóptero)

Ha- Ha- Ha- Tú siempre ganas Doraemon
Ha- Ha- Ha- Tú siempre ganas Doraemon.

Thursday, February 26, 2009

Segue só pela pele quente que se arrepia
A mão que sendo só conquista esguia
Levando em seus dedos os aromas de uma noite
O tabaco o perfume e a bebida
Reunidos numa receita nocturna embevecida
De uma mística reunião de sentidos
Estando as almas a cima dos corpos
E os corpos acima deles mesmos
É claro o tom vermelho da taça de vinho difusa que aquece
E se a secura da garganta se faz de tentação
Se teus olhos servem de alucinogénio puro
Se a tua boca é meu ópio
Ora doce sedução que é passar minha mão
Por teu corpo quente... arrepiado
E quando as almas se amarram por entre os corpos celestes
Quando nem o cosmos as contém
É ver a luz que se estende cerrada por entre as frinchas das janelas
E soltar um ultimo e derradeiro abraço

Wednesday, February 25, 2009

Mofala Zangado - O Herói de Sangala

Há coisas que não merecem ser contadas
Casos que não devem ser divulgados
Há historias estóicas que devem manter-se no silêncio

Ressoa um boato em Sangala
Sobre os actos de bravura de um velho herói
Que tem em seu sangue uma vontade espalhada
E dele reza a lenda que nem tinha espada

Forte e robusto pelo sol treinado
Desafiou as forças da natureza num corço montado
Diz-se por aí que dobrou montanhas e levantou mares
Que matou dez mil homens com meros olhares

Mofala Zangado viveu em Sangala
Teve seis mulheres e filhos de sobrar
Foi um grande herói e sem saber porquê
Tudo fala dele, mesmo aquele que não vê

E quando as crianças não querem comer
Mofala Zangado vem para as obrigar
Já dizia a avó ao neto amuado
Se não comes tudo: Mofala Zangado!

Monday, February 23, 2009

Bom Dia II

Falta qualquer coisa a este sujeito
Não sei sequer o que hei de dizer
Digo-o por ver o que se passa no espelho
Eh co raio do fedelho faz cada trejeito

Se lhe perguntam seu nome, ele treme ao dizer
Se lhe toca o telefone gagueja ao atender
Falta qualquer coisa a este sujeito
Não sei dizer nem ao certo explicar

Se lhe apetece gritar jamais o fará
Teme que o ódio fale por ele
E nem desconfia que a consumição
Se faz de engolir a tal humilhação

E voa baixinho, quando alto voou
Buscando de novo o que não encontrou
Leva consigo só mais confusão
De paredes timbradas de indignação

E quando se esconde em total solidão
Procura em seus pés um rasgo de ilusão
E pede a Deus que lhe acenda uma luz
Dizendo baixo que o impossivel seduz

Se a noite só traz um triste sentimento
Vamos dar as mãos e criar movimento
Gritemos bem alto que sim e que sim
Que não, não é hora de chegar ao fim

E se lhe for permitido acordar de manhã
Dirá que está salvo mantendo o ressalvo
Mas decerto expressando que o dia trará
Algo bem diferente que se expressará
Sob formas concretas de bens ideais

E é esta a tradução no mundo dos mortais.

Bom Dia.
Há meandros pegajosos que habitam em Lisboa
Estendendo seu tapete viscoso desde Alfama a Madragoa
Apanham seus súbditos em súbitos vícios viciantes
Que os fazem tornar a voltar perdidos e errantes

Trazem em bolsos distintos
Desejos famintos
De saciar sua fome
De quem há mil anos não come

Levam tiram, partem vão
Dilaceram o destino
Nunca pedem perdão

E quando á noite rodam na cama que já não os embala
Levantam-se de mansinho e passando pela sala
Levam um pouco do recheio
Para rodar no meio

E voltam à cidade que os espera faminta
Pela sua injecção de capital sub-urbano
Para essa economia de subterfúgios
Que se esconde em vielas por entre mil refúgios


Despeja em seus homens cinzas decadentes
Pós dos consumidos que não podendo fugir
Giraram, giraram, sem sitio pra ir

Brancos serão, branco é...
Brancos serão, branco é...

Sunday, February 22, 2009

Frágil

Frágil vagueia pela cidade empedrada
Tropeçando no copo, na garrafa
Descobre atrás de uma parede uma praça
Embriagada rodopia para um ralo fundo

Pedra a pedra se consome o meu chão
No banco do jardim está sentado um tornado
E nele um cavaleiro montado

Segue a viagem o personagem principal
Num súbito instinto carnal
Olfacto apurado de seu púlpito espreita
Desce e se esgueira pela porta direita

Soma e segue caminhos estreitos
De onde escorrem regos de agua perfeitos
Sujos, conspurcados...

Não tendo nada para dizer
Foge da sua sombra moribunda
A sua alma fecunda
Segue, Frágil... Pela cidade empedrada.

Friday, February 20, 2009

Podia jurar ter-te visto à janela

Podia jurar ter-te visto à janela
No dia em que pela primeira vez foste capaz de te livrar dela
Tiraste-a do teu corpo com pedra de sal e sabão
E depois escondeste tudo num garrafão

Podia jurar ter-te visto à janela
No dia em que pela primeira vez te vi sorrir ao sol
Reluzente de tão branca tua testa singela
Também ela estava feliz por lá estar, a janela

E se uma voz forte e quente ao telefone te disser
Sai de casa e mete-te no primeiro taxi que vier
Eu seguir-te-ei por essa estrada fora
Mesmo que vás para lá da zona em que ela mora

Se isso acontecer, por vontade ou por desalento
Posso estar certo que no seu rosto apenas restava tormento
Do excesso que tens mais não te convém
Segue em frente acelera


Depois se falaremos ao serão
Do dia em que pela primeira vez foste capaz de te livrar dela
Tiraste-a do teu corpo com pedra de sal e sabão
E depois escondeste tudo num garrafão
Não foi tarde nem cedo

Podia jurar ter-te visto à janela

Tuesday, February 17, 2009

Partida

Tomei o comboio na estação da Castanheira, depois que o Calhau deixou de me abraçar. Um homem fardado veio à plataforma dar avisos de corneta, uma atenção nova centrou a atenção de todos. E, bruscamente, entre dois grandes penhascos, o comboio rompeu enfim como um rancor subterrâneo, alucinado de ferros e fumarada. E tive medo. Pela primeira vez estremeci de medo até aos limites da vida, não tanto, porém, da fúria do comboio, como dessa coisa insondável e enorme, tão grande para mim, que era partir.
Partir, deixando para trás uma história fraterna e os cozinhados da Tia Augusta. Partir também, por sentir ser esse o meu caminho, muito embora, precipitado pela carta que recebera faz três dias. Embora amedrontado, segurei forte a saca de estopa que carregava os meus escassos pertences, assomei-me à janela para fitar pela última vez o olhar saudoso do meu primo Calhau, que ocupava agora a sua mão esquerda com a tarefa de esconder a lágrima que tanto queria debruçar-se para escorrer pelo seu rosto. Ele estava crescido, pois estava… Não queria chorar para ser como o seu pai, um homem forte e valente. Ele já o era, mesmo pensando que era preciso não chorar para o ser. No meu bolso carregava a carta que tinha recebido de minha mãe, que se encontrava com o meu pai, emigrada, em França, e, na minha cabeça, ainda giravam as palavras soletradas pela Tia Augusta: “Meu querido filho, já temos o suficiente para que venhas ao nosso encontro…” no fundo, eu sabia que não seria bem assim, que as coisas não estavam fáceis e que a doença do meu pai só veio agravar a situação, o que de facto os consumia era que eu fosse chamado para cumprir o serviço… para ir à guerra.
E, para que isso não acontecesse eles fariam qualquer esforço.
À beira de alcançar a maioridade, ia eu sentado, sentindo na pele fria o frio dos bancos de couro da carruagem que rumava a todo o vapor para Vilar Formoso. Se lá na frente distintos senhores liam periódicos, cá para trás restavam uns quantos semblantes tristes, e, mais do que os rostos, eram as malas de cartão, presas com atilhos de cordel cheios de nós em todo o seu comprimento. As palavras da minha mãe pesavam-me no bolso, tanto, que sem dar conta nunca cheguei a largar a lapela do casaco, contudo, confortava-me a paisagem que se arrastava colorida com o sabor da velocidade na janela poeirenta. A cada passagem, um novo quadro, que, por ser primavera era de todas as cores pintado, graças às flores que despontavam em todo o seu fulgor.
Pensava para mim, que se naquele dia fosse uma flor, seria uma flor de pétalas cerradas, amedrontada pelo desconhecido, pelo frio, pela chuva, pelo desconforto exterior. Mas como cabe a uma flor abrir-se, dar seus frutos, e, depois murchar, cabia-me a mim também cumprir o destino que a natureza me conferia. Tinha de enfrentar aquele momento e os que se seguiriam, com coragem para poder vingar, tinha de me abrir para o mundo, tinha de ser forte…
Se, mentalmente me sentia impotente, no peito, transportava uma força quase tão grande como a da locomotiva que avançava galopante sobre os carris de metal. Era um jovem viçoso, traço característico da idade, bem sei, mas nunca deixei de desconfiar que tal viço se devesse em grande parte aos cozinhados da Tia Augusta, que não deixara de me preparar para a jornada uma deliciosa merenda, com luxos, que eles mesmos, só tinham nas mais festivas ocasiões. Desde o presunto, à marmelada caseira e às sandes de torresmos, no embrulho, não faltava nada… Um autêntico cabaz de sabores e de recordações que me apetecia guardar para sempre, não fora a fome por saciar.
Já levava duas horas longas de viagem, e, já me tinham dito que de Castanheira a Vilar Formoso ainda faltaria pelo menos outro tanto. Não me importava com o tempo, para além de ter muito, naquele momento, ele era meu conselheiro e encorajador. A morosa viagem era então forma de me fazer pensar sobre mim próprio, coisa que até à data não era hábito frequente. Apertava-me a barriga o pensamento sobre o desconhecido e sobre a outra realidade que iria encontrar quando chegasse a França, bem diferente daquela que eu conhecia, a da pureza do campo. Ao mesmo tempo, estava feliz por saber que ia rever os meus pais, era aquilo por que eu mais ansiava desde da sua partida, há cinco anos. Mal podia esperar pelo momento em que voltasse a sentir o abraço da minha mãe, e o cheiro dos seus cabelos.
Naquela altura ainda não estava bem ciente de que aquela viagem era apenas uma onda no mar de mudanças que seria a minha vida a partir daí. Como a flor, era chegada a minha altura de florir. Para mim, havia chegado a Primavera.

Camille Pissarro, Lordship Lane Station, Dulwich, 1871.


O 1º Paragrafo não é de minha autoria é sim um mote de uma conhecida escritora que quando souber referirei o nome.

Monday, February 16, 2009

Vamos lá para morrer
Vamos lá para vingar
Vamos lá sem saber que pedaço levar
Vamos lá mas sem pressa, que o prato frio sabe pior

Vamos lá de manhã...
Ou ao fim da noite...
Vamos lá sob o escuro ou sobre a penumbra
Vamos lá de mansinho e com astucia

Vamos lá ver então quem é que manda aqui
Vamos lá ver então de matéria somos feitos.
Vamos lá ver então se o fim se adivinha

Vamos lá!

Monday, February 09, 2009

Pois não, pois é

Então, pois não, pois é
Tira a mão deixa o pé
Pois não, pois é

Pois sim, vem cá não doi
Isto é coisa que moi
Não doi não doi

Remoi, remoi, então
Ouve o teu coração
Pois não, pois é

Assim enfim p'ra mim
Deixa estar tudo assim
Para sempre aqui

Passado é então guardado
E lá longe enlatado
Pois não, pois é

Presente é então assente
Ele é que é pr'a estar
Pois não, pois é.

Wednesday, February 04, 2009

Simplesmente

Há dias em que é simples o movimento paralelo dos acontecimentos
Dias em que a fome surge naturalmente antes da comida
Dias em que depois do vermelho vem o verde
Dias em que o céu está cinzento e chove

Enfim... Sinceramente já nada disto me comove
Tudo isto é banal, e por ser assim, também os passos seguintes são banalmente arquitectados por mim
Dentro da minha cabeça, louca de tantas teias de aranha
No meu intimo onde ascendem bolas de oxigénio de tão activo

Se fosse agora 2005 eu diria muito bem, pois bem.
Se fosse agora 2006 eu diria, não há problema, sou eu
Se fosse agora 2007 eu diria, tenham pena
Se fosse agora 2008 eu diria au!

E por ser 2009 eu digo que já sei, que já vi
Que já chorei, já sorri, enfim... Também eu já o senti
É o filme da 4 em loop loopado

É o fatídico fado cantado, por uma Amália
Que hoje em 2009, já conheço... melhor do que nunca.

É 1:43, e tenho que me deitar cedo... Boa Noite (aqui eu assopro, a vela apaga-se e tudo fica...) exactamente. Comentem seja quem forem... Qualquer coisa.

Sunday, February 01, 2009

Ouço o som das mãos a criar movimento
A chorar não por fora, mas por dentro
Do teu olhar de luz, criar o frio
Cheira a vela que se consome fio a pavio
Pavio aceso preso em teus gélidos brancos dedos
Que levam minha fala a contar-te segredos
Pronto, é óbvio. Merda para ti.
Tinha de ser com segredos.
Insensatos pecados que aguardam, mortais em caves guardados
Apodrecem envenenados, fermentando ao frio num crepúsculo vazio
Um rio de insanidade leviana, um duo de alma profana
Uma corja grosseira sem eira nem beira
Um bando de escarafunchas, escarafunchosos, difusos mal cheirosos.
Resto eu, abrigado do frio, sob o pano fino vazio de fazenda creme
Possa eu ter como ultimo repasto, algo de tão pequeno vasto como um verme
Verde por fora e podre em seu cerne, por ele feito e por ele eterne
Descanse agora em paz pois não,
O Rei foragido e o seu ducado, que quando por ele tocado
Morre em cinzas tal não é o condão do seu pobre jeito
Que por um malfeito, mata em terreno alheio
Dando então como seu condado seu misero ducado imperfeito
Não restando nada mais para ver no seu podre suplantado leito.
Já mais então refeito.

André e Rui

Saturday, January 31, 2009

Já soubeste voar

Vamos deixar o vento derrubar a tua torre decadente
Rodopia os olhos sob as paredes deprimentes
Rebola na tua podridão escrava das aparências
Sobe as escadas pensante no mofo entranhado

Associa o frio à tua caixa de correio vazia
Cola a mão imunda ao torpe corrimão
Sobe ao topo da tua empenada torre

E pede com força para o vento te lavar a alma
Pede com força para a chuva te lavar a cara
Esconde os olhos da brutalidade tempestiva da realidade

Depois atira-te
E antes de tratares o chão molhado e escuro por tu
Lembra-te de que um dia
Já soubeste voar

Friday, January 30, 2009

Vem, Chuva, Vem

Molhar os meus sentidos
Ressentidos da poluição

Vem, Chuva, Vem
Leva-me do peito a saudade
E a solidão

Vem, Chuva, Vem
Lavar os meus cabelos
E os dedos amarelos do fumo

Vem, Chuva, Vem
Encher a maré
Dar movimento a este barco sem rumo

Haja o que houver
A chuva não há-de acabar
E seja lá como for
Este velho Mundo continua a girar



Wednesday, January 28, 2009

.

As fotos já não chegam para recordar
Parecem ter sido poucas para descrever...
Um laço que não sei explicar
E que sei, certamente, não mais voltar a ter

Um misto de ternura e compreensão
Partilhando o mesmo astral, curioso
O mesmo signo sensível e manhoso

Basta olhar para entender
O que a tua expressão me quer dizer
Basta uma festa para expressar
Tudo o que eu te possa querer contar

Custa aceitar que tenhas de ir
Simplesmente te queria dizer
Que o que mais falta me faz ultimamente
É ver-te sorrir

Com o teu sorriso inato como o meu
De gozão infernal, de tão natural

Obrigado amigo...
Obrigado avô.

Monday, January 19, 2009

Ah não!

Ah não, não podes
Ah não não deves.
Não, nada, esquece
Não te atrevas

Chora para aí.... Mas não podes não deves
Teme Teme Teme...

Que realidade tão pouco virtual...
A necessidade de planar provavelmente deve ter algum significado maior
Estuda cabrão...estuda...

Thursday, January 15, 2009

Para sempre

Se o teu coração chora, pede-lhe que não o faça
Se as tuas mãos tremem, agarra forte as minhas
Se a lágrima espreita o chão, põe-lhe a mão por de baixo

Se te sentes só, fecha os olhos
Se na garganta tens um nó grita

Vê teus olhos no espelho...
Eles são o reflexo do teu espectro
Voa como uma bailarina
E sorri...

Se nas minhas mãos tens conforto
Nos meus abraços um porto seguro
Podes sempre vir ter aqui
Eu vou-te abrigar

Se o chão te faltar
A saliva te amargar ou uma porta se fechar
Sabes sempre onde eu vou estar

Neste canto meu, tens o mundo que é só teu
Neste mundo meu tens um canto que é só teu
Um canto, mas um canto ao centro...

Onde é o teu lugar, onde te podes encontrar
E eu a ti, e a tu a mim
Para sempre

p.s para a minha pata (rainha dos patos)

Friday, December 12, 2008

Gira a Vapor

Se o tempo é dinheiro, se o dinheiro é tempo
Se o tempo pede esmola à porta de um convento
Dir-se-á que o tempo perde tempo e que por isso rico não fica.

Perdido na capital, fervilha em pensamento
O pensamento pensado em hora de ponta
Atravessa-se a estrada com o vermelho
O cérebro fervilha rumores e intrigas

Paradoxos inventados, soletrados, repetidos, aflitivos
A água onde bebe o pombo, vivo, logo morto de seguida
Pinga do nariz da estátua pintada a spray preto
Os olhos dão lugar a para-choques

Os carros choram morte, morte, morte
Sirenes correm ao bate bate estonteante, imparável
Não é domingo, pois não... Não é.

Jazido o pensamento, em looping, centrifuga a mente
Repleta de impropérios não soltos, pelo contrário meu amigo
Afundados, espezinhados, guardados a vapor pela máquina!

Cinzenta como todas,
Como a estrada,
Como o céu chuvoso,
Como o sabor gostoso, que não tem cor, só paladar.

Para saber de ti apanhava o primeiro táxi.
Para saber de ti subornava o meu intimo
Aliás como em todos os dias.

Surdo, mudo, atado, sequestrado à parede carnal revestida a pelo
Não morto...Antes fervendo... Gira a Vapor.


Monday, November 03, 2008

Thursday, October 23, 2008

Sr. Toupeira

Indo para onde só eu vou
Caminho, secreto rasteiro
Espreito, respiro, procuro o abrigo
Longe escuro, fora do perigo paranormal, do drama social

Quente e denso, um ninho, recôndito, abraço de conforto
O espanto de tamanha inesperada hospitalidade
A terra do nunca num sonho partilhado
Estranho, diferente, irreal...

Fundo o mundo, o centro da terra já tão perto
Uma funda libertação de súbito enterrada
Num medo estranho, difuso, de passo inseguro
Perdido confuso, mas quente.

Procuro um abrigo, hospitalidade, um amigo
Cavo, escavo, raspo, esfrego, esmurro
Uma mina, uma solução, uma pepita de ouro

Brilha o puro dourado iluminado forte
Na mão imunda, arenosa que se mistura com o fundo da rocha
É isso, é a luz, é o fundo do túnel que espreita, que chama
Agita o coração dos Homens.

Vem até aqui, desfaz-te da rotina
Entra, tira as botas enche um copo
Fala com a toupeira que está algures entre a lareira e a cozinha a fazer chá
Conta a tua vida ao Sr. Toupeira.

Ele saberá ouvir-te... Vai ser bom.



24/10/2008
(a ouvir Vicente Palma)

Friday, September 26, 2008

Que é do Trovador?

Por onde anda o trovador "..."
Onde ele esconde o subtil pensamento?
Que é da ânsia galopante da palavra astuta?
Que é do génio do mágico...?

Vagueio perdido num qualquer banal canto da casa
Perco-me nas velhas cortinas ou no meu reflexo na tv - escura-
É tarde, é estranho...

Estarei eu à procura de quem?
Porquê eu, porquê ele, porquê o incomodo...!?
Escolhas, escolhas... incertas, remotas ...

Olhos negros, fundos.
Não sei se cheios, não sei se não.

Que é do Trovador?

Saturday, July 19, 2008

Verão, Outubro de 1984


Férias, meu bem... estamos de férias
O sol ríspido e seco arranha e sufoca a pele
Contra o quente, a derreter chão de rocha escura
Mordemos a ultima gota de suor

Abraçamos numa pancada o fundo do ralo
Por onde se esvai a ultima gota
A visão turva-se as pálpebras cerram-se parcialmente
Neste sufoco impiedoso, escaldante
Deserto, tão perto que imagem ...

Ao longe um oásis:
A rocha turva na água doce por entre a vegetação verdejante
Um manto de musgo húmido retalhado pela sombra
Pingado pela agua fresca que escorre da minha boca

Tenho sede, tenho falta de ar... aperto o meu pescoço...
E a estrofe antecedente consome os meus sentidos
Faz o suor que limpo da testa deixar de ser salgado
Invalida os cortes da pele ressequída no calcanhar

O pó quente e seco, por todo o lado...
Motores que ainda trabalham, quentes, secos...
Forças da natureza... Que equilíbrio perfeito.

Alucino, o oásis de que necessito
Manto fundo de água doce e fresca
Água, como ceda desliza fria no mergulho
Atenção que é doce... Sacia esta sede

Ahhsaa...glup...slop...xap...plim...glip
Amo-te água

Monday, June 30, 2008

Thursday, June 19, 2008

Sunday, June 08, 2008

Ahah Fluí de Novo

Sangue volta e corre, nas veias geladas...
Derrete o gelo! Devolve a calma e a alma
Respirar depois do sufoco! O orgasmo depois da luta
Ah! Vida, Volta! Eu sabia.

Num mundo de pistoleiros...
Vinguei de espada em punho
Trespassei demónios, saqueei templos
Perdão, perdão...

Soprou o vento Norte
Sussurrando um pressagio de morte
As trompetas anunciam o retorno de El- Rei
E eis que das cinzas renasce













D.Sebastião

Saturday, May 17, 2008

Paleta de Cores

Uma paleta de cores sem fim, paira na mão de um velho louco. Da janela suja, empoeirada, sacode as teias de aranha com uma das mangas da camisa de pano grosso previamente bafejada.
Lá fora, espreita um campo manchado de cores. Vermelho de papoilas, amarelo de trigo, roxo de outra forma qualquer de natureza. Tudo aquilo reflectido no fundo dos castanhos olhos côncavos do pobre homem. A correr procura um banco, do qual retira telas e mais telas, empilhadas desde há muito. Tendo o banco livre apronta-se a colocá-lo perto da abertura que cuidadosamente desenhou no vidro. Aquela janela era a mais bem posicionada da casa, era virada a ocidente e permitia vislumbrar através dela magníficos pores-do-sol. Por baixo, o lavatório, todo feito de uma pedra imponente, da qual por força do pó e do tempo já não se distinguiam os veios.
Por fim sentado, cavalete e tela na frente, volta a levantar-se. Corre até outra sala. Levanta um enorme lençol que se dissipa numa enorme nuvem de pó. De um velho vaso retira uma chave de latão, em forma de girassol. Com ela abre um enorme malão de canfora de onde retira a peça mais limpa e brilhante que se pode colocar neste cenário. Um pincel dourado.
Por fim sentado, fitando o pequeno feixe de luz, arregaça as mangas da camisa até cima do cotovelo. Com as mãos encaminha os seus cabelos brancos para trás das orelhas e agarra o pincel que tinha posto no bolso detrás...

... Continua ...

Tuesday, May 13, 2008

20:35

Adverso à mudança
Apelador do não, não agora não...estamos bem assim
Calhas estreitas que levam água por ruas direitas
Cursos difusos, tamanhos, confusos de pureza cristalina mergulhada em esterco

Pergunto a Deus se a mão é morta
A ti se já não te falta nada...
Ignóbil peça, vasta carta, em tamanho baralho

A sorte vindoura trará consigo nova luz
Jás trás páz... e Catrapus...
Ah Ah...

Cacilheiro, 20:35, olhos difusos
Morro de amor... Ouço o cuspir das ondas lá fora
Lá dentro... Ai lá dentro!
Baralho o teu olhar no meu... doce, ténue...

20:43, não aguentei a espera...
Pulei pela janela, velhas murmuraram "mas que grande cadela"
Encontrei esta ilha...

Dei-lhe o meu nome

Thursday, April 03, 2008

Tanta Coisa

De tanto que valeu, ter tentado
Para quê ter esperado?
Para quê ter lutado, se tudo é vão

Porque hoje tornas meus dias cinzentos
Porque o amanhã é sempre mais longe
Porque nem tudo és tu, mas tu és muito
Porque há coisas que eu não sei explicar

Seca-se a garganta,
E engolem-se em seco, as palavras que já não saem
Que já não são fáceis... Não quero que nada se consuma
Quero o meu mundo de pé, construído

E se algum dia me deres lume
E se algum dia me aqueceres a cara à noite
Vais saber que eu estou lá...
Vais saber que eu sou lá

Perto...muito perto...

Que tudo tenha valido a pena...


Uma ultima imagem... Porque o tempo, esse, não mais volta atrás

Saturday, March 29, 2008

Estrada

Paris, como já havia sido dito, parece ser o destino, ou pelo menos um local de paragem obrigatória.
A viagem faz-se leve e contente, num instantâneo tele-porte para os anos 60...
Eu guio, de sorriso estampado na face....
Tu, sentas-te, uma perna sobre a outra, na pose mais descontraia do mundo... pés descalços...
Óculos escuros reflectindo a paisagem.. e o sol, que se põe ao longe...
A musica é tua... e a palavra é esta: "curtimos" o momento ...
A viagem... o planalto sem fim...
Para trás fica tudo o que já não importa, tudo o que sobrou...
Resta a estrada que se estende, sem termo
O vento entra forte e quente, é fim de tarde, é Verão...

Sunday, March 23, 2008

Cor ?

Desta vez não é a fingir...
Desta vez estou mesmo mal
As hostes agitam-se para a derradeira batalha
Travada com lágrimas e flores

A morte adivinha-se e o céu escurece
Levanta-se o pó do tempo...
Exumam-se as lembranças
É tempo de queimar tudo...

E eu sei, que até que a ultima brasa se extinga
Será impossível renascer...
Resta esperar...
Será que o sol fará despontar de novo vida?
Será... que o revolver da terra trará o necessário...

Não sei, e lamento-o com toda a força do mundo
Vão-se rindo, de tão lamentável duvida...
Qualquer que seja a resposta, esta...
Será mais favorável para mim

E hoje, nega-se o beijo, cerram-se os lábios...
E treme a pele arrepiada, pela água gélida que cai como punhais
E leva o que resta, de tudo o que já foi um dia, Cor.


Açoteias, Março de 2008

17:17
19/3/2008

Sunday, March 09, 2008

Incompleta

Parte-me o coração. Rouba-me a alma. Leva-me a vontade de viver. Cega-me com o teu amor. Ensurdece-me com os teus gritos de loucura. Tira-me o gosto dos meus lábios com os teus beijos. Faz-me perder os sentidos. Ameaça-me com a tua partida. Assombra-me com medos e desconfianças. Tira-me a minha essência. Priva-me da minha liberdade. Impede-me de pensar. Semeia em mim a paranóia. Conduz-me à insanidade. Apaga a minha presença. Impossibilita-me de ver para além de ti. Transforma-te na minha vida. Não me deixes sentir o teu cheiro. Não te aproximes só para não sentir o toque do teu corpo. Prolonga os teus momentos de ausência. Enche-me de insegurança. Leva-me a ter que chocar contra as coisas só para sentir.
Convence-me de que és a única razão pela qual eu sou alguma coisa. Sustém a respiração para sentir que te perdi. Faz-me experimentar a impotência de escolha. Afoga-me em mágoa. Fecha-me na minha insignificância. Põe-me à b
eira de um abismo para saber o que é não ter ninguém para me salvar. Não me deixes cair sem te ter por perto para me apanhar. Deixa-me à espera de um sinal teu. Ignora os meus sentimentos. Não te importes com os meus choros. Traí-me com o que eu não posso ser. Atira-me à cara o que não te posso dar. Abandona-me estendida no chão a pedir a tua ajuda.
Mata-me por dentro, porque só assim serás capaz de ver que mais nada resta em mim para tu tirares. Já não te posso beijar, olhar, tocar, sentir e amar. Talvez assim, depois de tanto mal que me fizeste, sentirás que te faço falta comp
leta, respeitada e não assim, nua de sentimentos e despida de sentidos.


Texto: Inês Horta

Foto: Minha

Thursday, February 28, 2008

Mergulho Citadino

Louca a cidade, o chão respira os meus passos, as paredes olham-me nos olhos, o céu turva-se, a noite anuncia-se. Vagam-se as praças, os cafés. Os nichos escuros cantam o tilintar da loiça que se lava na cozinha de um restaurante. Prossigo a minha marcha pela calçada escura. Já é noite. Os candeeiros baços de luz pálida obrigam-me a tropeçar na minha sombra difusa, que insiste em não me deixar só.
Chego a um largo. A calçada mostra-me um brasão que eu desconheço. Dois passos atrás e toco o banco em que se sentam as flores da laranjeira que perfuma o ar, não hesito em fazer-lhes companhia, sento-me, olho em redor, não vejo vivalma. De súbito o cheiro doce que se faz sentir, mistura-se com um outro, não sei ao certo o que é, procuro perceber, a resposta está na luz trémula, oscilante, que se move no escuro que oculta a forma do cachimbo. Distraído em pensamento, uma brisa acorda-me para me dizer que do outro lado do largo que estava vazio está agora um eléctrico. Aproximo-me e parece-me estar vazio. Estendo a mão para a porta. Esta, como que por magia abre-se, hesito, mas mesmo assim aceito o convite, percorro o corredor. Concentro-me no ultimo banco da traseira, sento-me, o toque da pele gasta é frio mas confortável.
De súbito um estalo, toca o sino, é pleno dia, uma velha com quatro sacos numa mão e com outra na minha cara, exclama " Acorda bêbado! ". Estou sentado naquele mesmo banco, o eléctrico avança cheio, não tenho reacção, saio na primeira paragem. Desço ensonado, e a tentar perceber o que se passa, sonolento, vejo-me atropelado pelo carteiro e tropeço no mendigo que se esconde por detrás de alguns cartões. O ambiente é caótico, tudo mexe, tudo gira, tudo grita. Perdido, corro em direcção ao rio! Não paro! O rio aproxima-se, apenas existe água no meu horizonte, ele corre para mim, e eu para ele. Ele não cede! É minha a escolha, mergulho, o mais fundo que consigo, insisto, quero alcançar o fundo, esbracejo, hei-de tocá-lo, já me aflige o pulmão, e quando invento o fundo nas minhas mãos perco o controlo de mim mesmo, tudo fica negro. É o fim...
Nesse mesmo dia, fim de tarde, sentado na esplanada do café do Elias, agarro um jornal, divido-o com o sabor do café e com a dança das ancas das mulheres que passam.
Em manchete grita-me o jornal," Homem sem vida apanhado numa rede de pesca "...


Algures em 2007



Música:
Jorge Palma e Flak.
Letra: João Gentil
Versão Original: Xutos&Pontapés

Friday, February 22, 2008

Continuar...é hora

Já não chove...
As gotículas ainda deslizam sobre os caminhos
Que a água escolhe traçar na janela
Ainda dormes, e nem suspeitas de nada...

Sobre teu corpo, um fino lençol de seda branco
Teu ar sereno e doce... teu respirar breve...leve
A suavidade confortante com que as tuas mãos se seguram,
Se entrelaçam...
As finas pálpebras, puras imóveis...
Que nem desconfiam que estou mesmo a olhar para ti

Assalta-me a vontade de te afagar os cabelos,
De luz, contornam teus ombros...
Moldam-se ao teu mundo

Meus lábios pedem pelos teus
Mas... não posso acordar-te...não quero acordar-te
Prefiro ver-te daqui
Quero ficar mais um pouco a contemplar este quadro

Com o que é que sonhas meu amor?
Que expressão de paz é essa!?
Que felicidade... Sorris enquanto dormes
Pairas no teu sonho... meu amor

Estou aqui... estou-te a ver... estou por perto
Xsiiu... Dorme linda*

Saturday, February 16, 2008

Brothers in Arms


Um soldado, e dois hobbits.
O Sam vai distraído a pensar no Shire.

Monday, February 04, 2008

Viana do Castelo - Cloverfield


Pura, pura, pura!
O tornado manchado de sangue
A torre de mais ninguém
Onde repousa a receita
O resultado está à vista

Porto - Noite


Derretido nas mais velhas forjas
Fluí lento e sereno
Esse elixir da vida
Abraça a cidade
Não é mais do que d'ouro
Rio Douro

Espinho

Saturday, January 12, 2008

Eu só tenho um casaco... Psst. não chora!

Sossega os olhos, sente a brisa fresca
Encosta a cabeça no meu dorso e dorme
Não precisas de chorar
As tuas lágrimas não chegam para limpar o pó do meu casaco

Sujo, empoeirado; sabes que mais, nunca foi lavado...
Se fosse perdia o brilho e a historia
O meu casaco tem mil buracos, é da traça e do arame farpado

Montês o gato da minha vizinha, ajudou
Aqui e ali com uns rasgões meticulosamente estudados
De maneira a que as costuras dessem de si

Sim... Já não é um casaco,
É mais um farrapo...
Mas faz frio e pouco me importa isso.
Vou continuar de mão estendida

Pode ser que almoce...

Psst.... não chora

5/1/2008
1:54 - dormir
Desenho: do Rui

Saturday, December 29, 2007

Quem quizer que leia

Já passou o Natal, os embrulhos são agora emplilhados nos caixotes do lixo. Muitos já são reciclados graças a Deus. Se o Jeruvázio consegue também não vejo porque não o fazer(Há sempre aquele estudo sobre a memoria dos babuínos mas isso pouco importa agora). Aparentemente os papeis de embrulho são todos iguais desde há uns anos para cá, não por uma questão de moda, mas por uma questão de fnac.
Enfim, cada vez mais os presentes são indistinguíveis por fora, mas por outro lado, sempre sabemos que foi comprado na Fnac! E que é alguma das milhares de coisas que lá se vendem. Original mesmo seria embrulhar meias no papel da fnac. Como eles não vendem lá meias, isto que eu saiba claro... Era giro não era?
Falando de Natal, estou agora a pensar que os Espanhóis é que fazem a coisa bem, e daí talvez não... Para quem não sabe, eles os Espanhois dão os presentes no dia de Reis, o que faz o seu sentido porque se diz que foi nesse dia que os Reis Magos deram as prendas ao menino Jesus. Por outro lado temos o Português com a sua lógica: " Se eles tivessem chegado lá a tempo"... pois o mal deles foi não terem GPS à mão! Qual estrela polar - "estrela que pula"! Assim sim teriam chegado lá no dito dia do nascimento do menino e evitavam-se assim estas confusões cronológicas.
Estou contente porque sei que se alguém no google pesquisar por palavras como "Deus, Espanhois, Estrela, Fnac e Gervasio ou Jeruvázio (como eu escrevi em cima porque naquela fase ainda não tinha ido verificar)" concerteza vem aqui parar. O que é bom... Porque eu não costumo escrever sobre tema nenhum em especifico e assim pode ser que sempre atraia mais qualquer coisinha.
Isto é um espaço livre e posso escrever o que quero e isso deixa-me feliz.
Nunca tinha experimentado esta liberdade prosaica nem nada que se parece-se...enfim é diferente.

Um 2008 diferente de 2007!
Melhor!

Friday, December 28, 2007

Escrever aqui.

Voa a flor de sangue, viva e quente
Cresce e solta odor de primavera em Março
Vive o Zé Pardal na casa branca
O Filomeno já não sabe outra vez do comando.

Não faz mal tenta de novo
Corre flor, corre sorte.
Aliás quem morre não vive de sabores
Dizia a filha ao pai: Oh pai não fui eu!

Se não foste tu foi ele.
Se não é um é outro, nunca estou certo.
Virai de novo, não tenho mais porque me preocupar.
Diz o cliente, à borboleta, hoje voas para mim.

Põe termo a esta fonte de criatividade louca
Misturas o resto com tudo, e o tudo com tudo o resto.
Já é tempo de olhar aos cavalos de marfim
Diz a Rosa Branca: Porque estás dentro de mim.

1:01
December.

Charlie

Thursday, December 27, 2007

Wednesday, December 19, 2007

Passou...


Passou, aliás como tudo passa
Ficaram pequenos fragmentos de momentos
Como estilhaços cravados na alma

Olho para o passado e tudo parece morto
Desprovido de animação
Parece que tudo ganhou pó
Custa-me aceitar que já foi

Às vezes gostava de voltar lá...
Abrir um portal, sei lá...
Mas lá já não há nada que signifique mais do que memória
Já não há calor, nem incertezas...

É o abstracto sentimento que me proporciona esta viagem
É ele mais uma vez que fala mais alto,
Parece que tudo se despede de mim...
Deixa-me triste saber que só eu visito de novo estas paragens

É difícil dizer quando é tão passado que deixa de estar presente na própria memória
É difícil precisar aquilo que fica...
Deve ficar aquilo que interessa...

É fácil pensar assim, mas nem sempre o que interessa é interessante,
Podia concluir, mas no entanto prefiro continuar...
Eu já fui assim...

Preciso de edificar um futuro melhor
Fará com certeza um passado diferente...
De qualquer forma, obrigado.

Assim termino mas detesto terminar...

1:18
18/12/2007

Friday, December 07, 2007

Velocidade... alucinar


Que loucura... que loucura!
O tempo corre sem parar
É o caos, tudo ultrapassa as rédeas da vontade
Estou perdido, em tempo, só porque ele me virou

Estou louco, preso num estreito labirinto
Corro sem parar, é tudo igual
Atrás de parede vem parede, de janela,janela; de porta, porta;
Tudo gira.. em enorme plasticidade.

Sento-me no chão frio e cáustico, mãos na cabeça em sinal de desespero
Esfrego-as na cara, e volto a esfregar, murmuro, não..não e não!!!
Não pode... Quero acordar... Leva-me de volta! Suplico...
Caiem-me as lágrimas, como farpas nos pés gelados

Agarro, o que resta de luz , que se esvai por entre os dedos.
Tudo o que girava há minha volta é engolido, como um grito que se abafa
Apenas me resta o solo, mistura de pedra e terra,que agarro com tudo o que tenho
Em sangue as mãos desistem, e retornam à face branca.

Consigo sentir o cheiro da terra húmida,
É o que tenho de mais reconfortante;
Tiro os olhos vermelhos de chorar das mãos imundas,
Ergo a face para o céu, sei que não posso ficar aqui

Uso de todas as minhas forças e levanto-me
Caminho incessantemente sem rumo, apenas sei que não posso parar
Ao longe vejo... Trimmmm Trimmmmm

André!! Acorda que já são horas!


20/6/2007
1:50

How Many